Meio Ambiente

Redução do desmatamento no Brasil contribui para queda global, mas desafios persistem

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Dados recentes indicam uma redução na perda de cobertura arbórea no Brasil, movimento que está alinhado à diminuição do desmatamento nos principais biomas do país. Apesar do avanço, especialistas alertam que os resultados ainda são insuficientes para cumprir metas globais de preservação florestal até 2030.

Segundo a pesquisadora Elizabeth Goldman, a redução observada acompanha os dados do Prodes no período de 1º de agosto de 2024 a 31 de julho de 2025. A tendência de queda não se restringe às florestas tropicais primárias, abrangendo também outros biomas.

“A maioria dos biomas apresentou redução, inclusive a Caatinga, região de florestas secas no Nordeste do Brasil”, destacou a pesquisadora.

De acordo com Mirela Sandrini, diretora executiva da WRI Brasil, os resultados são fruto de uma força-tarefa coordenada pelo governo, com participação da sociedade civil, academia, comunidades locais e setor privado.

Entre as iniciativas apontadas estão a intensificação da produção em áreas já desmatadas, a criação do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), ações de remuneração por serviços ambientais e incentivos fiscais para preservação. Essas medidas, segundo Sandrini, estão alinhadas às expectativas globais para a próxima década.

Impacto nos dados globais

O desempenho brasileiro teve reflexo nos números mundiais. Em 2025, foram registrados 4,3 milhões de hectares de perda de cobertura arbórea em florestas tropicais úmidas, uma redução de 35% em relação a 2024, quando o total chegou a 6,7 milhões de hectares.

As perdas não relacionadas a incêndios atingiram o menor nível da última década, com queda de 23% na comparação anual. Já as perdas causadas por incêndios permanecem elevadas, sendo a terceira maior marca desde 2001.

Elizabeth Goldman ressalta que os dados sobre incêndios ainda podem passar por revisão, devido a possíveis atrasos na detecção por satélites, causados pela fumaça que dificulta a captação das imagens.

Apesar da redução, o Brasil ainda lidera em números absolutos de perda de cobertura arbórea, respondendo por mais de 37% do total global em 2025. Na sequência aparecem Bolívia, com 620 mil hectares, e República Democrática do Congo, com quase 600 mil hectares.

Quando considerada a proporção em relação ao tamanho das florestas, Bolívia e Madagascar apresentam as maiores perdas. A principal causa global continua sendo a expansão agrícola, tanto para produção de commodities quanto para subsistência.

Os incêndios foram os maiores responsáveis pela perda de florestas no mundo em 2025. Nos últimos três anos, esse tipo de ocorrência provocou o dobro de perdas em comparação com duas décadas atrás, evidenciando o impacto crescente das mudanças climáticas.

Embora a redução da perda florestal nos trópicos em 2025 seja considerada um avanço, especialistas alertam que o ritmo ainda está aquém do necessário. Atualmente, o mundo permanece cerca de 70% acima do nível exigido para cumprir o compromisso de 140 países de reverter a perda de florestas até 2030.

O cenário reforça a necessidade de intensificar ações de preservação, diante de um contexto de maior vulnerabilidade das florestas às mudanças climáticas e do aumento da demanda global por alimentos e energia.

Com informações da Agência Brasil