Nesta terça-feira (21), serão realizadas campanhas de conscientização no Dia do Alzheimer. O alerta, inserido no calendário há 16 anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), acontece após uma semana em que um estudo de diagnóstico da doença por meio de exame de sangue foi divulgado por pesquisadores americanos na revista Archives of Neurology.
De acordo com o coordenador da Academia Brasileira de Neurologia, Ivan Okamoto, a pesquisa representa um painel de exames de sangue, mas ressaltou que ainda não traduz um marcador biológico da doença – substâncias produzidas pelo organismo que são utilizadas para identificação de um transtorno específico. ?É um modelo matemático que dosa vários índices, mas que ainda precisa ter sua utilidade confirmada na prática clínica?, afirmou o neurologista.
Ainda sem avanços que apontem para a cura, a doença degenerativa é melhor controlada quando diagnosticada logo nos primeiros sintomas, como os esquecimentos na realização de tarefas rotineiras. ?Muita gente acha que perder a memória é da idade. Mas esse esquecimento pode não ser normal?, disse Okamoto que comparou a detecção do problema como uma bomba detonada na família. O fator de risco é apenas um: a idade (geralmente entre 60 e 65 anos).
Ter atividades intelectuais (jogar xadrez, sudoku, palavras cruzadas), praticar exercícios físicos (caminhada, pilates, hidroginástica) e manter relações afetivas são as indicações para quem sofre com o Alzheimer. Mesmo que tais orientações não sejam capazes de evitar a morte por complicações causadas pela doença, elas retardam a sua evolução quando acompanhadas pelos medicamentos específicos. As pessoas iniciam o tratamento farmacológico e param. Com o declínio, ele [paciente] não volta ao nível anterior?, destaca Viviane Abreu, terapeuta ocupacional e presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz).
Alerta
Para Viviane Abreu, o Dia do Alzheimer é importante para alertar o governo e a sociedade sobre a doença que acomete cerca de sete por cento da população idosa no Brasil – 1 milhão e 200 mil pessoas segundo dados do IBGE. Segundo relatório atualizado da ABRAZ, no mundo, a doença atinge 36 milhões de pessoas. A estimativa é que esse número dobre até 2030.
?É um problema de utilidade pública que ainda está muito aquém, principalmente no Brasil. Não temos plano estratégico, de formação médica para diagnósticos precoces e diminuição dos custos [no tratamento]?, disse Abreu.
Mesmo com o aumento no número de diagnósticos, o governo, na observação do neurologista Okamoto, ainda disponibiliza um número insuficiente de medicamentos. O programa [governamental] abrange cerca de 11% da população com Alzheimer, sendo que nos Estados Unidos essa porcentagem está em 80%?, explicou.

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