A Dívida Pública Federal encerrou agosto de 2026 em R$ 9,292 trilhões, segundo o Relatório Mensal da Dívida divulgado pelo Tesouro Nacional nessa segunda-feira (28). O estoque registrou alta de 0,04% em relação a julho, apesar de um resgate líquido de aproximadamente R$ 84,43 bilhões.
O resultado foi influenciado pelos encargos financeiros. Somente em agosto, R$ 88,39 bilhões em juros foram incorporados ao estoque da dívida.
No acumulado de 2026, o endividamento federal já cresceu cerca de 7,6%. O estoque passou de aproximadamente R$ 8,64 trilhões no fim de 2025 para o atual patamar de R$ 9,292 trilhões.
A composição da dívida também apresentou mudanças. Os títulos remunerados por taxas flutuantes passaram a representar 52,74% do estoque. Já os papéis vinculados a índices de preços correspondem a 23,22%, enquanto os títulos prefixados representam 20,31%.
Outro indicador que avançou foi o custo médio da dívida. A taxa passou de 12,45% para 12,59% ao ano em apenas um mês.
Ao mesmo tempo, o prazo médio da dívida aumentou de 4,05 para 4,10 anos. Os dados mostram que houve um pequeno alongamento dos vencimentos, enquanto o custo financeiro do estoque permaneceu elevado.
O chamado colchão de liquidez, reserva utilizada pelo Tesouro Nacional para fazer frente aos vencimentos da dívida, também apresentou redução significativa.
O valor passou de aproximadamente R$ 1,37 trilhão em julho para R$ 1,208 trilhão em agosto, uma retração nominal de cerca de 11,9%. Ainda segundo os dados divulgados, a reserva permanece suficiente para cobrir vários meses de vencimentos.
A comparação com anos anteriores ajuda a dimensionar a evolução do endividamento. No fim de 2022, último ano do governo Jair Bolsonaro, a Dívida Pública Federal estava em R$ 5,95 trilhões.
Desde então, o estoque administrado pelo Tesouro Nacional aumentou em mais de R$ 3,3 trilhões, chegando aos atuais R$ 9,292 trilhões.
A comparação, porém, envolve diferentes condições econômicas. A evolução da dívida é influenciada por fatores como juros, inflação, câmbio, emissões, resgates e as condições econômicas de cada período.
O resultado de agosto recoloca o equilíbrio fiscal no centro do debate econômico. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendem uma estratégia de controle das contas públicas e de estabilização da trajetória da dívida.
Críticos da política fiscal, por outro lado, argumentam que o crescimento do estoque e o peso dos juros indicam dificuldades para conter o endividamento.
O dado objetivo apresentado pelo Tesouro é que a Dívida Pública Federal atingiu um novo patamar nominal recorde. Para o fim de 2026, o próprio órgão projeta que o estoque fique entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
Com informações do Diário 360-@fabiianobraga






