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Doenças consideradas “invisíveis” impulsionam afastamentos do trabalho em Minas Gerais

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O mercado de trabalho em Minas Gerais enfrentou um aumento expressivo nos afastamentos por motivos de saúde em 2025. Mais de 560 mil trabalhadores precisaram interromper temporariamente suas atividades, número que representa um crescimento de 15% em relação aos 486 mil benefícios por incapacidade temporária concedidos em 2024, segundo dados do Ministério da Previdência Social.

O avanço observado em Minas acompanha uma tendência nacional. Em todo o país, mais de 4,12 milhões de profissionais ficaram afastados do trabalho por períodos superiores a 15 dias em 2025, o maior patamar registrado desde 2021, também com aumento de 15% em comparação ao ano anterior.

No cenário mineiro, a dorsalgia, caracterizada por dores nas costas, permanece como a principal causa de afastamento, motivando 34.470 concessões de auxílio pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). No entanto, chama atenção o crescimento das chamadas doenças “invisíveis”, como transtornos mentais e condições crônicas de dor, que vêm alterando o perfil dos afastamentos. Os diagnósticos de ansiedade em Minas saltaram de 19 mil para 23 mil em apenas um ano, um aumento superior a 20%.

A professora Rachel Frizeiro, do Colégio Santa Maria Minas, exemplifica a realidade enfrentada por muitos trabalhadores. Diagnosticada com fibromialgia — síndrome crônica marcada por dor muscular generalizada, fadiga, distúrbios do sono e dificuldades cognitivas, ela precisou se afastar do trabalho por dois meses após a doença atingir um estágio crítico.

Me levou ao limite de comorbidades. Precisei fazer troca de medicação e tive abstinência, depressão e ansiedade por conta da doença. Minha recuperação era solitária e somente o suporte dos médicos todos os dias”, relata.

Apesar de já ter retornado às atividades, Rachel descreve o período de afastamento como um “deserto”, no qual tarefas básicas se tornaram impossíveis. “Eu não conseguia controlar as necessidades fisiológicas dentro da própria casa. Ninguém entendia. Achavam que somente com minha fé e força de vontade bastava”, afirma. Segundo ela, a melhora efetiva começou após ingressar em grupos de autoajuda com outros pacientes que compartilham o mesmo diagnóstico. Durante o período, recebeu auxílio do INSS e apoio da escola, conseguindo retomar a função após dois meses.

O retorno ao trabalho também trouxe desafios. “Quando voltei ao trabalho, tive medo em voltar à estaca zero e ser incompreendida. Precisei me apoiar em alguns colegas de trabalho e me abrir sobre o que aconteceu e como eu precisava de ajuda no dia a dia”, conta.

Dados nacionais do Ministério da Previdência Social apontam diferenças nos motivos de afastamento entre homens e mulheres, embora não haja o cruzamento das informações por unidades federativas. Entre as mulheres, as dores na coluna e os transtornos de ansiedade lideraram as causas de licença. Já entre os homens, as fraturas de perna e tornozelo foram os principais motivos, seguidas pela dorsalgia. Em 2025, do total de benefícios concedidos no país, 2,10 milhões foram destinados às mulheres, enquanto os homens somaram 2,02 milhões.

O aumento dos afastamentos por doenças físicas e, principalmente, por transtornos considerados “invisíveis” evidencia mudanças no perfil da saúde do trabalhador em Minas Gerais e no Brasil. O auxílio por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, é concedido pelo INSS após perícia médica presencial ou documental aos segurados incapacitados de trabalhar por mais de 15 dias consecutivos em razão de doença ou acidente. O benefício pode ser solicitado por meio da plataforma meu.inss.gov.br ou pelo telefone 135, reforçando o papel da previdência social no amparo aos trabalhadores durante períodos de incapacidade.

Com informações do Hoje em Dia