Motoristas e passageiros de Belo Horizonte perderam, em média, 130 horas presos em congestionamentos ao longo de 2025. O resultado coloca a capital mineira em um cenário crítico de mobilidade urbana, empatada com Recife e atrás apenas de Curitiba, com 135 horas, e São Paulo, com 132 horas, no ranking nacional de tempo perdido nos horários de pico.
Os dados foram apresentados por Fernanda Rezende, diretora executiva da Confederação Nacional do Transporte (CNT), durante o Seminário da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), realizado em São Paulo.
O levantamento foi elaborado pela TomTom, empresa de tecnologia especializada em navegação, localização e análise de dados de mobilidade. A companhia reúne informações sobre o trânsito em cidades de todo o mundo e publica anualmente um índice que avalia o impacto dos congestionamentos no deslocamento dos motoristas.
No ranking geral, que reúne 492 municípios avaliados globalmente, Belo Horizonte ocupa a 33ª posição. Entre as capitais brasileiras monitoradas, a cidade registrou o terceiro maior aumento no índice de congestionamento médio em 2025.
O índice chegou a 58,6%, uma variação de 0,6 ponto percentual em relação a 2024. Belo Horizonte ficou atrás apenas de Porto Alegre, com 59,6%, e Recife, líder entre as capitais, com 64,7%.
Na capital mineira, a distância média percorrida em 15 minutos foi de 5,3 quilômetros.
Durante a apresentação, Fernanda Rezende destacou o papel central do transporte no desenvolvimento do país e apontou os principais gargalos enfrentados pelos passageiros nas grandes cidades.
Segundo a diretora executiva da CNT, a escolha pelo transporte individual é diretamente influenciada pela falta de infraestrutura e de prioridade para o transporte coletivo nas vias, incluindo a ausência de faixas exclusivas.
“Perguntamos para as pessoas que andam de ônibus, e quase 50% disseram que, no trajeto, não tinham corredores exclusivos. Isso leva a pessoa a sair do ônibus. Quando o ônibus está preso no mesmo congestionamento que o carro, é melhor ir de carro, com ar-condicionado. São fatores que impactam e fazem elas deixarem o modal”, explicou.
A representante da CNT ressaltou que a perda de atratividade do transporte coletivo urbano está relacionada a mudanças nos hábitos da população e ao crescimento de modais mais vulneráveis, como as motocicletas.
De acordo com a entidade, esse movimento também pressiona os sistemas de saúde pública em razão dos índices de acidentes envolvendo motociclistas.
Para enfrentar os congestionamentos e os gargalos operacionais, a CNT defende um conjunto de medidas institucionais e de infraestrutura. Entre as propostas estão a criação de linhas de financiamento específicas para ações de mobilidade urbana e a garantia da sustentabilidade financeira dos investimentos no transporte, com diversificação das fontes de custeio.
A entidade também defende a viabilização de aportes financeiros da União para custear gratuidades no transporte coletivo, além de apoio técnico e financeiro às prefeituras para o planejamento e a execução de projetos de mobilidade.
Outra medida apontada é a construção e adequação de vias urbanas com foco na priorização do transporte coletivo em relação ao individual. A proposta inclui ainda melhorias na integração entre os diferentes modais e os terminais.
Fernanda Rezende também relacionou a eficiência do transporte coletivo à descarbonização do setor.
“Quando falamos de descarbonização, um estudo mostra que um ônibus emite cerca de um sexto do que emite uma frota equivalente de motos. Cerca de 10% das emissões do setor vêm dos ônibus, enquanto veículos leves respondem por 48%. Se tiramos motos e carros da via e colocamos mais ônibus com infraestrutura, o ganho ambiental e de fluidez é imediato”, defendeu.
O estudo “O transporte move o Brasil”, elaborado pela CNT, apresenta um panorama dos investimentos necessários em mobilidade urbana em todo o país. Segundo o levantamento, são necessários R$ 518,40 bilhões distribuídos em 328 projetos.
Do total, R$ 410,5 bilhões correspondem ao modal ferroviário, distribuídos em 83 projetos. O setor aquaviário demanda R$ 7,5 bilhões em três projetos, enquanto os terminais urbanos concentram R$ 2,8 bilhões em 12 projetos.
Já o modal rodoviário urbano requer R$ 97,6 bilhões, distribuídos em 230 projetos que somam 2.896,4 quilômetros de extensão.
Dentro dos recursos destinados ao setor rodoviário, R$ 86,39 bilhões são direcionados especificamente à implantação de sistemas de priorização do transporte coletivo. Esse montante contempla 204 projetos.
Com informações do O Tempo






