A greve dos caminhoneiros brasileiros não foi a maior que o mundo já viu, mas foi a mais danosa à economia de um país. Isso mostra a urgência de se discutir alternativas tanto nos modais de transporte como no de combustíveis.
Certamente será um serviço, no meu entender prioritário, para senadores e deputados federais, mas os estaduais e vereadores também podem fazer muito. Deveriam começar pela redução dos custos públicos: mais eficiência, mais organização e método, mais automação, mais fiscalização, menos mordomias (que estão chegando aos níveis da ditadura), menos impostos (façam reduções para 15 ou 20 anos) etc.
Sabemos que nos anos 1950, as multinacionais automobilísticas subornaram nossos políticos para acabar com os trens. Um fim triste para um grande esforço nacional, conduzido por empresários, muitos estrangeiros. Meu próprio tetravô austríaco veio para o Brasil trabalhar na Sorocabana há mais de cem anos. É preciso agora que os políticos estabeleçam leis que obriguem o melhor uso do que existe, favoreçam incentivos e criem boas condições para novas ferrovias.
Quem nunca ouviu falar da Gurgel, empresa brasileira que fabricava carros nacionais e carros elétricos? Foi pioneira nos anos 1970, época de ouro das hidrelétricas, mas hoje, acreditem, falta energia elétrica no Brasil! Como? Com este sol? Com estes ventos? Sim, com estes políticos! Aliás, todos eleitos! Ou seja, quem não se envolve com “política” tem que reconsiderar como atuar para melhorar o seu próprio país.
Já escrevi sobre diversas iniciativas para implantar projetos “verdes” apesar das dificuldades legais e falta de incentivos, porém descobri outros também importantes. A começar por Franca, SP, que se tornou a primeira cidade do Brasil a produzir combustível para carro a partir do esgoto.
Em abril, a Sabesp, responsável pelo saneamento e tratamento do esgoto da cidade, inaugurou na estação de tratamento a produção do biogás do esgoto para o abastecimento de veículos. O biometano produzido será utilizado nos 200 carros já adaptados para o gás natural veicular (GNV) da companhia. A Sabesp trata 50 milhões de litros de resíduos por dia no município.
A tecnologia usada demandou um investimento de R$ 7,4 milhões para economizar 1,5 mil litros de gasolina por dia (façam as contas e perguntem por que não está em todas as cidades do país). É um exemplo para todo o país, já que esse biogás em várias estações de tratamento de esgoto do país é desperdiçado, sendo queimado.
Outro problema ambiental gravíssimo é o óleo de fritura porque acaba nos rios ou lençóis freáticos. Uma parceria entre cooperativas de catadores de materiais recicláveis de Recife, Pernambuco, foi feita com o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene Brasileira) e com apoio da Cáritas para gerar emprego e renda pela transformação do óleo de cozinha descartado em biodiesel. E, o projeto envolvia inicialmente 73 trabalhadores de três cooperativas.
A expectativa modesta era produzir entre 100 e 200 litros de biodiesel por dia. É um exemplo para todos os municípios, para ganhar experiência e eliminar poluição.

 

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