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E por falar em eletrônica… Propagação por Ondas Celestes permite comunicações a milhares de quilômetros de distância

Imagem ilustrativa/IA

A propagação de ondas celestes, também conhecida como propagação ionosférica, é um método de comunicação sem fio que utiliza a atmosfera superior para refletir sinais de rádio de volta à superfície terrestre. Essa característica possibilita transmissões a distâncias de milhares de quilômetros, superando amplamente o alcance visual e as limitações das comunicações convencionais.

Diferentemente das ondas terrestres, que acompanham a curvatura do solo, as ondas celestes são emitidas em direção ao espaço. Ao alcançarem a ionosfera — região da atmosfera localizada entre 50 e 1.000 quilômetros de altitude e carregada de elétrons livres devido à radiação solar — esses sinais sofrem alterações em sua velocidade de propagação.

Essa mudança ocorre em razão da variação da constante dielétrica do meio. Como consequência, o sinal passa por um processo de refração extremamente acentuado, fazendo com que a onda se curve e retorne à superfície da Terra.

A técnica possui aplicações estratégicas em diversos setores. Na radiodifusão em onda curta (HF), constitui a base para serviços que demandam cobertura global, como a transmissão de notícias internacionais e comunicações de emergência. O método também é amplamente empregado em comunicações marítimas e aeronáuticas, utilizando frequências entre 3 e 30 MHz para estabelecer ligações de longa distância em áreas onde não existe infraestrutura terrestre disponível.

Para que o fenômeno ocorra de forma eficiente, é necessário considerar parâmetros técnicos fundamentais. Um deles é a frequência crítica (fc), definida como a frequência máxima que pode ser transmitida verticalmente e ainda ser refletida pela ionosfera. Quando esse limite é ultrapassado, o sinal atravessa a camada ionosférica e se perde no espaço.

Outro parâmetro importante é a distância de salto (ds), que corresponde à distância mínima entre o transmissor e o ponto onde a onda retorna à Terra. Abaixo desse limite forma-se uma zona de silêncio, na qual o sinal não pode ser recebido por meio desse tipo de propagação.

Um aspecto curioso da propagação ionosférica é que seu desempenho costuma melhorar após o pôr do sol. Nesse período, as camadas inferiores da ionosfera, conhecidas como D e E, que absorvem energia durante o dia, desaparecem. Com isso, os sinais conseguem atingir a camada F, localizada em maior altitude, aumentando significativamente o alcance do salto e favorecendo as comunicações de longa distância.

 

Alexandre Bertozzi
Engenheiro eletricista e professor universitário.
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