Redação Últimas Notícias
O que restou do jequitibá bicentenário que ornou durante alguns séculos a região onde há alguns anos surgiu o logradouro público denominado Parque Chico Mendes – popularmente conhecido como ‘Parque do Jequitibá’, esta semana, por ação de vândalos, sofreu mais um atentado.
O fogo, que algum irresponsável ateou na área que circunda as edificações inauguradas em 2013, atingiu em cheio os troncos principais da velha árvore que, ainda preservados, no aguardo de recursos para, segundo a intenção do atual secretário de Gestão Ambiental, Leyser Rodrigues de Oliveira, seriam reaproveitados de alguma forma com a sua transformação em móveis, alguns “mimos” ou até mesmo, em tamanho maior, numa peça artística instalada numa espécie de memorial a ser erguido ali mesmo.

Fotos: divulgação Decom 
Fotos: divulgação Decom
Relembrando:
O Parque Municipal Chico Mendes está localizado no bairro Mangabeiras. Conhecido popularmente como ‘Parque do Jequitibá’, foi inaugurado em 2013 e ocupa uma área de aproximadamente 14 mil metros quadrados, que circundam um espaço construído e composto de: sala verde, jardim suspenso, sala para administração, cozinha e banheiros, tudo erguido com o emprego de materiais recicláveis. Paredes, telhas, aproveitamento de águas pluviais, cercas erguidas com o uso de dormentes, iluminação com pets e aproveitamento da luz solar, piso construído com o emprego de garrafas, etc.
O parque foi construído através de recursos oriundos da Associação Regional de Proteção Ambiental (ARPA-II), por meio do Ministério Público da Comarca de Formiga em convênio celebrado com a Prefeitura.
Nos primeiros anos de funcionamento, as escolas municipais e algumas estaduais programavam visitas ao parque, sendo que a gestora naquela ocasião, Vera Moreira, divulgou que por ali passavam, anualmente, cerca de 1.800 alunos, que recebiam informações relativas à Educação Ambiental.

Fotos: arquivo UN 
Fotos: arquivo UN
O primeiro acidente:
O jequitibá em questão, tinha cerca de 200 anos e, segundo pesquisadores, foi plantado pelo viajante e naturalista francês August de Saint Hilaire, que visitou esta região entre os anos de 1816 e 1822. Ele tinha por costume plantar um jequitibá em toda nascente que encontrava na sua caminhada em direção ao Centro-Oeste brasileiro.
O jequitibá media na parte inferior do tronco 5, 60 metros de circunferência, tinha mais de 35 metros de altura e caiu, provavelmente, por falta de cuidados e manutenção correta, na área que o circundava.
Segundo informações de moradores, muitas de suas raízes, pela erosão do terreno, estavam a descoberto e a copa da árvore já, a olhos nus, pendia para um lado, evidenciando a necessidade de realização de uma poda para melhor equilibrá-la.
Outra provável causa da queda da árvore pode estar ligada à existência de um vazamento de esgoto que, segundo moradores, escorria a céu aberto há alguns meses na via pública de acesso ao parque, onde também se notou à época, sinais evidentes de grande volume de enxurrada, igualmente carreada para o interior do parque, solapando o terreno em que o jequitibá foi plantado.

Fotos: arquivo UN 
Fotos: arquivo UN
O que diz o secretário:
O secretário Leyser lembra que aquela área, novamente vítima de vandalismo, é de preservação permanente e, portanto, o que houve ali, claramente se enquadra como crime.
Ele explicou que a secretaria está na posse de um projeto, já finalizado e que aguarda apenas a disponibilidade de recursos financeiros para a revitalização do local que tem, conforme já dito, área aproximada de 14 mil metros quadrados.
É pensamento da atual administração recuperar a área dando-lhe condições de funcionar dentro das razões que fizeram com que o Parque ali surgisse. É um importante equipamento para auxiliar na educação ambiental dos estudantes e, aquele local, precisa ser melhor aproveitado pelas populações de seu entorno como área de lazer, entretenimento, convivência social, preservando-a e cuidando da flora e da fauna que ali habitam.
Leyser concluiu dizendo que a Secretaria Municipal de Gestão Ambiental está avaliando os danos e acompanha o caso, pedindo a população que não faça queimadas. “O ato, ao que parece, ainda que não premeditado, é criminoso e passível de pena”, disse.
Nossa sugestão:
Conhecendo os planos que o atual secretário pretende colocar em prática naquele importante equipamento público e sabedores de que estes, conforme ele mesmo explicou, dependem de uma “certa folga no caixa municipal”, o que em época de luta contra a pandemia não é algo muito fácil de ocorrer, este jornal, sugere ao secretário uma providência que, sendo de baixo custo, pode evitar que o que restou do velho jequitibá se perca para sempre: Ousamos sugerir que pelo menos o tronco principal, daquela árvore, que salvo engano foi objeto de tombamento, seja retirado dali e armazenado em local que garanta sua integridade, livrando-o da ação de vandalismo.
Talvez, a área de galpões que a Prefeitura ocupa no antigo DER, por suas condições atuais, seja o local ideal para receber o material. Tal sugestão, se aceita, se torna urgente pois conforme a reportagem verificou, na quarta-feira (25,) dias após o vandalismo, troncos e outros arbustos dentro do Parque ainda estavam incandescentes.








