NI – Você fez parte do grupo de jovens que, se uniu e promoveu as primeiras manifestações havidas nesta cidade por volta de junho deste ano. Como vocês conseguiram se articular?
LL – Através de contatos mantidos através de redes socais.
NI – O que a motivou?
LL – Na verdade, eu particularmente já sabia o que ocorria aqui e percebendo através da mídia o que motivava a juventude e outros grupos sociais no restante do país, acreditei e comentando com os demais participantes das redes sociais, vimos que era hora de aproveitarmos a chance de, motivar igualmente todos os cidadãos desta cidade.
NI- Apesar da influência ?de fora?, vocês tiveram alguma ajuda ou determinação de grupos estranhos a esta cidade?
LL – Não! Definitivamente, não! E tem mais, fizemos questão de não nos ligarmos a nenhum grupo político. Se eles, ou melhor, alguns deles demonstraram apoio e simpatia para com a nossa causa, que é comum, menos mal.
NI – Você tem algum desejo de participar mais diretamente da política (se pretende ser candidata alguma coisa)
LL – Não, no momento minha vontade maior é a de ajudar na conscientização dos formiguenses, sobre a necessidade de moralizarmos muita coisa que ocorre e que não é segredo para ninguém.
NI – Por favor exemplifique.
LL – Assédio moral, repressão absurda, corrupção descarada, usurpação de poder. Tudo isto, na minha opinião, resulta na falta de saúde, educação, segurança e outras mazelas que atualmente aqui vigoram.
NI – A ideia do acampamento, com tão pouca gente, veio depois de vocês terem conseguido colocar nas ruas, em duas passeatas, algo em torno de 10.000 pessoas. Você considera que eles eram apenas participantes ou os enquadraria também como manifestantes?
LL – Acho que houve sim, um sentimento misto de participação e de manifestação bem clara, contra o que ocorria e já falei anteriormente. Porém, passado o período do ?glamour?, a coisa esfriou e muita gente hoje, a nosso ver, está se omitindo. No ?acampamento? éramos poucos, mas dia e noite quem passava por ali, demonstrava ter simpatia pela nossa luta. Acho que faltou apoio da mídia local. Em especial de alguns que só apareceram na hora em que, ordeiramente, cumprimos a determinação judicial, apesar de com ela não concordarmos.
NI – E os funcionários, se manifestaram?
LL – Não, eles obedeceram ao memorando, direitinho. Menos o Sr. José Lopes e o Erasmo que com muita brutalidade ? talvez pensando que a ditadura aqui ainda funciona a todo vapor ? arrancaram o varal que não atrapalhava a vida de ninguém. Nem mesmo, dos que ali estavam retratados. Mas, achamos melhor não bater boca, até porque, certamente a mesma justiça que mandou retirar nossas barracas, quem sabe, possa julgá-los por aquele ato, que todo mundo sabe foi contra a lei.
NI – Laura e a ideia do manifesto e da criação da Assembleia ? APF?
LL – Primeiro APF quer dizer: Assembleia Popular formiguense. Tem como objetivo dar continuidade ao que pretendíamos desde a primeira passeata. CONSCIENTIZAR nossa população e mostrar aos eventuais governantes que o poder, realmente, emana do povo. Governo eleito tem que ouvir toda a população e não só a um ou outro escolhido que veio de fora.
NI – Mais algo a dizer?
LL – Claro, convido todo mundo a estar no próximo sábado, 21, a partir das 10 horas da manhã, na praça Getúlio Vargas, para realizarmos nossa primeira Assembleia. Dentro de nossas possibilidades queremos ouvir todos que estiverem presentes. Inclusive o prefeito. Aproveitando a oportunidade, estendo a ele o convite pois, não conseguimos neste espaço de tempo e de luta ?quase democrática? , falar com ele, ainda.
Manifesto Assembleia Popular Formiguense ? APF
Em meados de 2013 a população formiguense se organizou nas redes sociais para discutir e denunciar os desmandos do poder público, a corrupção e a ineficiência administrativa de sua cidade. Os debates que ocorriam na tela do computador passaram a ocupar as ruas. Em junho de 2013, o povo se mobilizou em massa e seguiu os acontecimentos ocorridos nas grandes capitais, que buscavam denunciar exatamente os mesmos problemas vivenciados em Formiga.
As passeatas e manifestações conseguiram colher frutos que hoje fundamentam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que investiga a safadeza dos políticos e seus padroeiros dispostos a satisfazer interesses próprios em prol da exploração das maiorias da cidade. Diante desse cenário e com sede de transparência, ética, moralidade e responsabilidade pública que, pela primeira vez, a sociedade civil organizada se dispôs a acampar em frente ao prédio da Prefeitura Municipal para que fosse escutada pelo prefeito.
Ao invés da abertura para o diálogo, fomos recebidos com repressão e ameaças da Polícia Militar e um desrespeitoso sarcasmo de alguns políticos. Assistimos na querida cidade das areias brancas, um cenário que remonta os tempos de coronelismo típicos da ditadura militar. Da noite para o dia percebemos que fazer política em Formiga significa se curvar às negociatas e permutas daqueles que cotidianamente ameaçam funcionários públicos e a população a não se engajarem na luta pela liberdade e a livre expressão.
Nada mais justo que os vários movimentos que lutam pela cidade se unifiquem e criem um instrumento de luta disposto a combater os atos ditatoriais do poder público. Lutamos por uma Formiga onde todos e todas possam ter o direito de publicar cartazes, ocupar as ruas e praças. Lutamos por uma Formiga que não assista à corrupção com passividade e que possa se rebelar, independente do cargo que possua. Lutamos por uma Formiga na qual os moradores de periferia, dos distritos e dos bairros em geral possam usufruir da cidade e tenham acesso a direitos garantidos pela Constituição, como saúde, moradia, educação, lazer, cultura e um transporte público eficiente. Enfim, lutamos por uma Formiga que expresse os anseios do povo, que clama por justiça social!
Nesse sentido, convocamos toda a sociedade para fundar a Assembleia Popular Formiguense (AP-F). A AP-F nada mais é que uma ferramenta de exercício da cidadania com o objetivo de proporcionar a unidade dos movimentos sociais por uma cidade mais digna e fomentar o protagonismo do povo para decidir seu próprio destino na cidade. Queremos reerguer a bandeira de Formiga com orgulho e honra. Enquanto os desmandos ainda existirem pelos políticos e pelo poder público em geral, vamos mantê-la invertida como um símbolo de protesto e indignação das maiorias da nossa cidade!
Por uma democracia participativa, em que todos os cidadãos possam ser ouvidos!
Pelo direito de viver em Formiga!
Pela liberdade de andar em Formiga!
Pelo orgulho de ser Formiguense!
Venha ajudar a construir a Assembleia Popular Formiguense!
Formiga
Entrevista com membro da assembleia Popular Formiguense
- por Últimas Notícias
- 20/09/2013 - 14:45








