Ao menos 199 municípios brasileiros estão em situação de risco de novas epidemias de dengue e de outras doenças transmitidas pelo mesmo vetor, como chikungunya e zika.

Outras 665 estão em situação de alerta. Os dados são do novo LIRAa (Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti), divulgado pelo Ministério da Saúde nesta terça-feira (24).

A pesquisa considera o grau de infestação do mosquito em 1.792 cidades analisadas. A situação é considerada grave nos municípios onde mais de 4% das casas têm larvas do mosquito em recipientes com água parada, daí o risco de nova epidemia. Já naquelas cidades onde esse índice é maior que 1% e menor que 3,9%, a situação é de alerta.

A pesquisa coletou dados entre outubro e novembro deste ano, meses anteriores ao período esperado de aumento de casos de dengue no país. O número de cidades em situação de risco e de alerta é maior do que em 2014, quando 125 e 552 municípios estavam em cada uma destas categorias, respectivamente. A amostra, porém, era menor que neste ano, com 1.524 cidades analisadas.

Entre as capitais que enviaram dados para o novo levantamento, Rio Branco aparece dentro do quadro de risco devido à infestação de Aedes aegypti. Sete aparecem no quadro de alerta: Aracaju, Recife, São Luís, Rio de Janeiro, Cuiabá, Belém e Porto Velho.

Outras dez (Boa Vista, Palmas, Fortaleza, João Pessoa, Teresina, Belo Horizonte, São Paulo, Brasília, Campo Grande e Curitiba) tiveram o quadro considerado como satisfatório, avaliação que corresponde a 928 cidades do país.

As capitais Macapá, Manaus, Natal, Maceió, Salvador, Vitória, Goiânia, Florianópolis e Porto Alegre ficaram de fora do levantamento por não enviarem os resultados ao Ministério da Saúde. Além do Aedes aegypti, o levantamento também encontrou em 262 municípios a presença de Aedes albopictus, mosquito que pode transmitir chikungunya.

Epidemia de dengue

Para Giovaninni Coelho, coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue, os dados indicam que é preciso aumentar o controle dos focos do mosquito, sob o risco de novo aumento de casos de dengue no país.

“O LIRAa é a radiografia do momento. O fato de ter 928 municípios em situação satisfatória não quer dizer que tenham que ficar tranquilos. Após chuvas [que tornam o ambiente favorável ao mosquito, devido ao risco de acúmulo de água parada], é possível haver modificações no índice”, alerta.

Neste ano, o país registrou uma das piores epidemias de dengue da história. Dados do último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde informam 1,5 milhão de casos notificados de dengue no país até o dia 16 de novembro, um crescimento de 176% em relação ao mesmo período de 2014.

Também houve recorde de mortes pela doença, com 811 casos -número 79% maior em relação ao registrado no ano anterior, quando houve 453 mortes em decorrência da dengue.

Outras doenças

Além da dengue, preocupam o governo o aumento acelerado de casos de chikungunya e zika, duas outras doenças parecidas com a primeira e transmitidas pelo mesmo mosquito. Até o momento, já foram registrados 17.131 casos de chikungunya – destes, 6,724 já estão confirmados. Os demais estão em investigação.

A doença, com sintomas parecidos à dengue, como febre, dor de cabeça e no corpo, é marcada ainda por fortes dores nas articulações, que podem se estender por meses.
Outra “prima da dengue”, a zika, que traz principalmente manchas vermelhas no corpo, já aparece em 18 estados desde que foi identificada, em maio deste ano. Os dados são de balanço atualizado do Ministério da Saúde.
A pasta, no entanto, não tem informações do total de casos suspeitos da doença no país. O governo alega que não há grande oferta de exames laboratoriais disponíveis, o que impossibilitaria de analisar todos os registros.
Hoje, a infecção pelo vírus da zika durante a gestação é investigada como possível motivo para um aumento no país de casos de recém-nascidos com malformação do crânio, a chamada microcefalia. Desde agosto, quando ocorreram os primeiros registros, o Brasil já contabiliza 739 casos notificados da anomalia, em que a criança nasce com o perímetro da cabeça menor do que a média, que é acima de 34 cm.
Tais casos, no entanto, ainda precisam ser confirmados por meio de exames, que comprovam a malformação durante o desenvolvimento do feto, com indícios como a presença de calcificações no cérebro.

 

Criadouros
Segundo o LIRAa, a maior parte das larvas encontradas do mosquito Aedes aegypti no Nordeste estavam em tonéis e caixas de água. No Sudeste e Centro-Oeste, predomina como criadouro o depósito domiciliar, com vasos de plantas e garrafas. No Norte e Sul, o principal vilão no combate ao mosquito é o acúmulo irregular de lixo.
Diante do risco de novas epidemias, o governo lançou uma nova campanha para eliminação destes criadouros e combate ao mosquito. O material usa como lema a frase “Se o mosquito pode matar, ele não pode nascer” e a relação do vetor com dengue, chikungunya e zika.

O Tempo Online

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