Uma pesquisa sobre educação revelou que os estudantes brasileiros, com idade média de 15 anos, estão contando menos com a ajuda dos professores fora da sala de aula. O estudo do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa, em inglês), feito pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aponta que 78% dos alunos no país contavam com o apoio extraclasse, em 2009, contra 88%, em 2000.
Segundo o doutor em educação José Marcelino de Rezende Pinto, professor da Universidade de São Paulo, campus Ribeirão Preto, os dados indicam que as relações entre aluno e professor podem estar desgastadas. Esse dado mostra que os alunos valorizam os esforços de seus professores, embora os docentes tenham dificuldade de identificar esse fato no cotidiano, afirma.
Para solucionar a questão, o especialista propõe promover um maior diálogo e o estabelecimento de regras de convivência. Além disso, ele sugere que os professores ensinem conteúdos que façam sentido para os jovens e que as turmas sejam reduzidas. Para Rezende Pinto, é necessário também melhorar a condição dos docentes e alterar o atual padrão de giz e cópia. No mínimo é preciso dobrar os salários para atrair os melhores alunos para a profissão e os melhores profissionais para a carreira, opina.
Ajuda
A pesquisa, porém, não vai de acordo com a opinião de muitos professores, que se dizem dispostos a solucionar dúvidas dos alunos quando solicitados. Esse é o caso da professora de português Regina Gonçalves, vice-diretora da Escola Estadual Henrique Diniz, em Belo Horizonte. Para os meninos do turno da noite, é proposto que cheguem antes da aula para terem a recuperação.
Alguns alunos, entretanto, dizem que podem até pedir ajuda, mas não procuram pelo apoio extraclasse, como a aluna Natália Peixoto de Azevedo, 17, do terceiro ano do ensino médio de uma escola particular da capital mineira. Os professores estão abertos, mas nem sempre o aluno sente a necessidade de procurar, diz.
Os docentes não são sempre solicitados, afirma o professor de química Hélio Silveira Vilaça, do Colégio Sagrado Coração de Jesus. Os estudantes não buscam mais essa ajuda. Eles fecham o caderno e só vão abrir no momento de fazer um dever, revela, ressaltando que o adolescente dedica pouco tempo à escola. O estudo tem concorrência grande com os meios eletrônicos. Isso contribuiu muito para a redução do tempo de estudo, diz ele, propondo que os pais coloquem horários reservados para os filhos estudarem fora da sala.
Para o estudante Saulo Henrique Souto, 15, do segundo ano de uma escola estadual em Belo Horizonte, a opinião dos jovens sobre os professores está mudada. Acho que o aluno não tem a visão de que o professor está ali para ensinar. Se exige, é chato. Se não cobra, não sabe nada, comenta.
Para Saulo, é importante que os próprios estudantes atentem para a importância do conhecimento. Os professores estão dispostos a fazer esse trabalho em equipe, mas, se o aluno não quiser, não vai adiantar, opina Saulo, que acredita ainda que o interesse do estudante não está relacionado à condição socioeconômica.
Desenvolvidos
OCDE. Entre alguns dos 34 países que fazem parte do órgão internacional, estão Alemanha, Bélgica, Chile, Dinamarca, Espanha, França, Grécia, Israel, Japão, México, Polônia, Reino Unido e Turquia.

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