Ciência e Saúde

Estudo aponta que gordura abdominal e deficiência de vitamina D mais que dobram risco de morte após os 50 anos

Foto: Magnific

A combinação entre gordura abdominal e deficiência de vitamina D pode mais do que dobrar o risco de morte em pessoas com mais de 50 anos. A conclusão é de um estudo publicado em 6 de maio na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, que acompanhou 5.520 adultos ao longo de seis anos.

O trabalho foi conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a University College London, no Reino Unido, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Pesquisa analisou participantes com mais de 50 anos

O estudo avaliou 5.520 participantes com 50 anos ou mais que integram o English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), um dos maiores estudos sobre envelhecimento do mundo.

Os pesquisadores verificaram que tanto a obesidade abdominal quanto a deficiência de vitamina D aumentam, de forma isolada, o risco de mortalidade. No entanto, quando as duas condições estão presentes ao mesmo tempo, os efeitos são potencializados.

Os resultados mostraram que pessoas com obesidade abdominal e deficiência de vitamina D apresentaram um risco de morte 123% maior em comparação com aquelas que não possuíam nenhuma dessas condições. Separadamente, a obesidade abdominal elevou o risco de morte em 47%, enquanto a deficiência de vitamina D aumentou esse risco em até 81%.

Entenda por que a combinação preocupa

De acordo com o coordenador do estudo, Tiago Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da UFSCar, a gordura acumulada na região abdominal dificulta a ação da vitamina D no organismo.

Segundo o pesquisador, parte da vitamina D fica armazenada nas células de gordura e deixa de circular pelo sangue, onde exerce funções importantes para diversos órgãos. Além disso, pessoas com obesidade apresentam menor atividade das enzimas responsáveis pelo metabolismo da vitamina D, reduzindo ainda mais sua disponibilidade.

Em comunicado, Alexandre afirma que a obesidade abdominal reduz a vitamina D circulante e que essa deficiência prejudica o sistema imunológico, agravando a inflamação crônica já provocada pelo excesso de gordura e elevando significativamente o risco de mortalidade.

Os pesquisadores destacam que esse cenário se torna ainda mais preocupante após os 50 anos, período em que o organismo passa naturalmente por um processo de inflamação crônica de baixa intensidade relacionado ao envelhecimento.

Vitamina D desempenha funções essenciais no organismo

Segundo os autores do estudo, a vitamina D participa da regulação da pressão arterial, da frequência cardíaca, do sistema imunológico, do sistema nervoso e do sistema endócrino, desempenhando papel importante no funcionamento do organismo.

Os resultados reforçam a importância de compreender os impactos da associação entre obesidade abdominal e deficiência de vitamina D, especialmente entre pessoas com mais de 50 anos, grupo em que a combinação das duas condições esteve associada a um aumento expressivo do risco de mortalidade.

Com informações do Metrópoles