Ciência e Saúde

Estudo identifica sequência do DNA associada a maior suscetibilidade ao Alzheimer

Foto: Magnific/Imagem ilustrativa

Uma sequência de três letras que se repete no DNA pode ajudar a explicar por que algumas pessoas apresentam maior suscetibilidade à doença de Alzheimer. Um estudo identificou que um número maior de repetições do trecho genético CCG está associado à doença e ao aumento da atividade do gene FAM193B, relacionado, em experimentos de laboratório, a sinais de danos celulares.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong e de outras instituições. Publicado em 12 de outubro na revista Nature Neuroscience, o trabalho combinou análises genéticas de participantes com testes realizados em células humanas para investigar a relação entre essas repetições e mecanismos associados à doença.

Repetições genéticas estão associadas ao Alzheimer

As letras do DNA representam componentes químicos que compõem o material genético. No estudo, os pesquisadores identificaram diferenças no número de repetições da sequência CCG em uma região que regula o funcionamento do gene FAM193B.

Para investigar essa relação, os cientistas analisaram dois grupos de participantes chineses, reunindo 1.516 pessoas com Alzheimer e 1.674 indivíduos sem alterações cognitivas.

Os resultados indicaram que pessoas com pelo menos 18 repetições do trecho CCG na cópia mais longa apresentaram aproximadamente o dobro da chance estatística de ter a doença, em comparação com aquelas que tinham até 11 repetições.

A associação também foi identificada entre participantes de ancestralidade europeia, embora tenha sido menos expressiva nesse grupo.

Pesquisa aponta aumento da atividade do gene FAM193B

Além das análises genéticas, os pesquisadores realizaram experimentos com células humanas para compreender os possíveis efeitos das diferentes versões da sequência CCG.

Nos testes, foram comparadas sequências com 11 e 25 repetições. Os resultados mostraram que a versão mais longa aumentou a atividade do gene FAM193B.

O aumento dessa atividade foi associado a sinais de danos no DNA e a alterações em mecanismos relacionados ao estresse celular e à morte das células. Esses achados indicam uma possível relação entre a extensão da sequência genética, o funcionamento do gene e processos envolvidos em danos celulares.

Associação não significa que o risco individual dobra

Apesar dos resultados, os pesquisadores identificaram uma associação estatística entre o número de repetições do CCG e a presença da doença. Isso não significa que uma pessoa com pelo menos 18 repetições tenha necessariamente o dobro da probabilidade individual de desenvolver Alzheimer ao longo da vida.

A diferença é importante porque os resultados comparam grupos de participantes e não determinam, isoladamente, o destino de cada indivíduo.

Da mesma forma, a associação observada entre participantes de ancestralidade europeia, embora menor, indica que a relação identificada não ficou restrita aos grupos chineses analisados.

Descoberta amplia o conhecimento sobre a doença

O estudo acrescenta uma nova pista para a compreensão dos fatores genéticos associados à suscetibilidade ao Alzheimer. Ao relacionar as repetições da sequência CCG à atividade do gene FAM193B e a sinais de danos celulares, a pesquisa oferece informações sobre possíveis mecanismos biológicos envolvidos na doença.

Os resultados contribuem para ampliar o conhecimento sobre como variações no material genético podem estar relacionadas ao Alzheimer, sem estabelecer que a sequência identificada seja, por si só, uma causa direta da doença.

 

Com informações do Metrópoles