Um fazendeiro e ex-prefeito de uma cidade do interior de Minas Gerais foi multado após arrancar 142 pequizeiros, árvore que é protegida por lei e considerada “imune ao corte” desde 2012, na zona rural de Várzea da Palma, no Norte de Minas. A autuação ocorreu após se espalhar nas redes sociais um vídeo mostrando pés de pequi enormes caídos no chão após serem arrancados na propriedade rural.

Após terem acesso às imagens que mostravam o grande desmatamento promovido no local, a Polícia Militar de Meio Ambiente fez uma fiscalização, na manhã da última sexta-feira (3), na fazenda conhecida como Curumataí, que fica às margens da BR-496, na altura da comunidade de Buriti das Mulatas, na zona rural do município.

No local, os militares identificaram então o corte dos 142 pequizeiros e, ainda, a derrubada de outras 326 árvores que não contam com proteção especial. Durante as buscas, ninguém foi localizado na propriedade rural, porém, vizinhos da fazenda, que preferiram não se identificar temendo represálias, repassaram informações que permitiram aos policiais identificar o proprietário como Gilson Santiago Aranha Júnior, de 40 anos.

Diante da situação, a PM então lavrou as multas contra o fazendeiro e apreendeu toda a lenha derrubada no terreno. A corporação também suspendeu qualquer corte de árvores no local até a “regularização do órgão ambiental competente”.

Ainda conforme a corporação, o dono da fazenda foi orientado sobre prazos e locais para recorrer das multas e avisado que, além das infrações ambientais, por se tratar de um crime previsto em lei federal com pena de até 2 anos de prisão, ele poderá ser intimado pela Justiça.

O pequi, fruto do pequizeiro, é nativo do Cerrado brasileiro e é muito utilizado na culinária da região Nordeste, Centro-Oeste e Norte de Minas Gerais. De sabor marcante e peculiar, o pequi é consumido cozido, puro ou misturado com arroz e frango. Da polpa pode-se extrair também o azeite de pequi, um óleo usado para condimento e na fabricação de licores. Na língua indígena, pequi significa “casca espinhenta”.

Todos os anos, durante o período da safra, que vai de dezembro a fevereiro, moradores desta região saem à caça dos frutos já caídos, sendo que o extrativismo do fruto é de extrema importância para a população carente, servindo de alimento e complemento de renda para inúmeras famílias.

 

Político nega ser dono da fazenda

Procurado nesta segunda-feira (6) pela reportagem de O Tempo, o médico Gilson Santiago Aranha Júnior negou ser o proprietário da fazenda Curumataí. “Deve estar enganado, não tenho propriedade que tem Pequi não“, afirmou o suspeito.

Apesar disso, o homem, que também é ex-prefeito da cidade de Santo Hipólito e que, em 2022, foi candidato a deputado estadual pelo PP, foi procurado por telefone pela PM, ainda conforme o registro policial, e confirmou ser proprietário da terra, chegando, inclusive, a admitir que não tinha nenhuma documentação que autorizasse o corte daquelas árvores.

 

Fonte: O Tempo

 

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