A Polícia Civil divulgou, nessa sexta–feira (10), o fim das investigações que apuraram o desvio de dinheiro do Divinópolis Clube para contas pessoais do ex-presidente da instituição e da filha dele. O inquérito teve início há dois anos, quando a atual gestão do clube foi empossada e notou irregularidades financeiras em auditoria realizada no clube. O valor desviado chega a quase R$ 1 milhão. Pai e filha foram indiciados.
De acordo com o portal G1, a delegada Adriene Lopes confirmou o nome de Simonides Quadros. A delegada foi a responsável pelas investigações que foram concluídas nesta semana. O inquérito contendo mais de mil páginas inclui documentações, balanços contábeis, provas testemunhais e depoimentos de pessoas usadas como laranjas. As apurações serão encaminhadas para a Justiça na próxima segunda-feira (13).
Desvio de quase R$ 1 milhão
Ao final do inquérito foi apurado um desvio de quase R$ 1 milhão. Segundo a delegada, o ex-presidente do clube, que ficou na gestão por mais de 10 anos, desviava dinheiro e fazia os depósitos em contas particulares dele e da filha.
“As provas foram recolhidas a partir do ano de 2009 e constatamos que o ex-presidente emitia notas fiscais de serviços avulsos, como de pedreiros, encanadores e outros, referentes à manutenção do clube. No entanto, os serviços descritos nas notas nunca foram realizados”, explicou a delegada.
Adriene contou que o ex-presidente emitia as notas, pois tinha acesso facilitado a setores diversos, já que era um agente público.
“As notas eram de serviços diversos e valores diversos também, sendo de R$ 2 mil, R$ 3 mil. O fato era constante”, destacou.
Como exemplo das fraudes do ex-presidente do clube, a delegada esclareceu que ele usou um senhor de 84 anos. O nome dele é Djalma Francisco de Oliveira e apesar de viver com a aposentadoria de um salário mínimo e catar latinhas para complementar a renda, o nome dele aparece como prestador de serviços no clube. Notas fiscais apontam que ele ganhou cerca de R$ 100 mil entre os anos 2009 e 2012. Dinheiro, que ele afirma nunca ter recebido. Djalma é apenas uma das vítimas da fraude milionária.
“Eu só catava latinha lá dentro. Não trabalhava de pedreiro. Eu já era aposentado na época. O salário que eu ganho não dava e não dá, por isso catava latinha. Eu descobri isso porque mandaram me chamar e me explicaram o que estava acontecendo. Não sei como ele usava meu nome, eu não assinava nada. Só era catador de latinha. Nunca recebi nenhum dinheiro do clube”, disse o aposentado.
A delegada explicou que a advogada de Djalma acionou o clube, pois ele entrou no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) com pedido de Benefício de Prestação Continuada (BPC) para a filha dele. O pedido foi negado, já que havia em nome dele as notas fiscais falsas, que comprovaram o recebimento de valores que chegaram a R$ 100 mil em três anos.
Suspeitos foram ouvidos
De acordo com a delegada, o ex-presidente do clube foi ouvido e negou que tenha praticado qualquer crime. A filha dele também foi ouvida e disse desconhecer a conta bancária onde os valores eram depositados e ainda negou qualquer ação fraudulenta.
Adriene disse que não houve pedido de prisão, mas a Justiça pode requerer bloqueio de todos os bens conquistados na ocasião em que ele era o presidente do clube para ressarcimento do valor. Ele foi indiciado por lavagem de dinheiro, apropriação indébita e estelionato.]
Negligência
Não foi constatado envolvimento de outros funcionários do clube nas fraudes. Mas a delegada ressaltou que houve negligência, pois todos os cheques que saiam do clube eram assinados pelo ex-presidente e o diretor financeiro da instituição.
Divinópolis Clube
O dinheiro desviado causou atrasos em melhorias na estrutura e prejuízos aos cofres da instituição, segundo o atual gestor executivo do clube, Sérgio Ricardo Bueno.
“Já havia suspeitas na esfera administrativa dentro dos 11 anos de gestão do ex-presidente do clube e tivemos ainda uma denúncia da advogada do Djalma, informando sobre as notas emitidas no nome dele. Sem dúvida nenhuma houve prejuízos e só foi identificada a fraude após uma microfilmagem em que verificados que o valor era depositado na conta do próprio ex-presidente”, declarou Ricardo.
Ainda segundo o gestor executivo e a delegada, há indícios de superfaturamento em várias obras realizadas durante os três mandatos do antigo presidente. Também há irregularidades nos pagamentos de shows musicais. No entanto, a delegada não detalhou sobre essa questão. Ela informou que valores superfaturados serão contabilizados.
Fonte: G1||








