Um novo exame de sangue capaz de identificar sinais moleculares associados a até 50 tipos de câncer começou a ser oferecido no Brasil. Chamado de Galleri, o teste utiliza uma amostra de sangue para procurar indícios da doença e pode auxiliar na investigação de tumores antes do aparecimento de sintomas.
Desenvolvido pela empresa norte-americana GRAIL, o exame é comercializado no país pela Genesis Genomics, uma parceria entre o Einstein Hospital Israelita e o Grupo Fleury.
Como funciona o exame de sangue que detecta câncer?
O Galleri utiliza uma técnica conhecida como biópsia líquida, que analisa fragmentos de DNA presentes na corrente sanguínea. O objetivo é identificar padrões moleculares que possam indicar a presença de células tumorais no organismo.
Quando encontra um sinal suspeito, o teste também procura estimar o tecido ou órgão de origem do possível tumor. Essa informação pode ajudar o médico a direcionar a investigação por meio de exames complementares.
A capacidade de detecção varia conforme o tipo e o estágio do câncer. Alguns tumores liberam mais material na circulação, enquanto outros, especialmente os menores, podem apresentar sinais mais difíceis de identificar.
Quanto custa o exame Galleri no Brasil?
Disponível na rede privada, o exame custa R$ 6.990 e precisa ser solicitado por um médico. A coleta é realizada no Brasil, mas a amostra é enviada aos Estados Unidos, onde passa por análise no laboratório da GRAIL.
O prazo para a entrega do resultado é de aproximadamente um mês. A indicação principal é para adultos com 50 anos ou mais, especialmente aqueles com fatores de risco, como histórico familiar de câncer ou predisposição genética.
Resultado positivo não confirma câncer
Um resultado positivo no Galleri não significa necessariamente que a pessoa tenha câncer. A identificação de um sinal suspeito precisa ser seguida de investigação médica, que pode incluir exames de imagem, avaliações específicas e biópsia convencional.
Da mesma forma, um resultado negativo não descarta completamente a possibilidade da doença. Alguns tumores, principalmente nos estágios iniciais, podem não liberar material suficiente na corrente sanguínea para serem detectados.
Um estudo chamado PATHFINDER 2, realizado com 35.878 pessoas nos Estados Unidos e no Canadá, registrou especificidade de 99,6%. A sensibilidade geral foi de 39,3%, variando de 21,4% para tumores em estágio 1 a 63,2% no estágio 4.
Os resultados mostram que a capacidade de identificação não é igual para todos os tipos e estágios da doença.
Exame não substitui métodos tradicionais de prevenção
O Galleri foi desenvolvido para complementar as estratégias de rastreamento já existentes, e não para substituir exames preventivos como mamografia, rastreamento do câncer colorretal e exames para o câncer do colo do útero.
A tecnologia pode ser especialmente relevante na investigação de tumores para os quais não existem métodos de rastreamento amplamente estabelecidos, como alguns cânceres de pâncreas, fígado e ovário.
Um estudo realizado no Reino Unido com 142.250 participantes, de 50 a 77 anos, não atingiu seu objetivo principal de demonstrar uma redução estatisticamente significativa nos diagnósticos combinados de câncer nos estágios 3 e 4. Entretanto, observou aumento na identificação de tumores nos estágios 1 e 2 e redução de 14% na incidência de câncer em estágio 4.
Os resultados ainda não permitem afirmar que o uso do teste reduz as mortes por câncer. Por isso, a realização do exame deve ser discutida com um médico, considerando o histórico e os fatores de risco de cada paciente, sem abandonar os métodos preventivos recomendados.
Fonte: Ana Paula Pickler/Gazeta do Povo






