José de Oliveira Frasão, morador de Formiga, se apresenta como um homem livre para o amor e que não quer viver na solidão. A história dele lhe rendeu uma entrevista no jornal Estado de Minas, além da participação no programa Balanço Geral da Rede Record e Jornal do SBT(assista ao vídeo).
Nestes tempos de facilidades virtuais, como facebook, Twitter, Orkut e outras ferramentas que permitem às pessoas se conhecerem e começar um relacionamento numa velocidade espantosa, um homem simples destas Minas Gerais, José de Oliveira Frasão, valeu-se de um método antigo, mas nem por isto menos eficiente, na tentativa de conseguir encontrar o grande amor da sua vida. Cover do cantor cearense Falcão, nunca teve acesso às maravilhas da rede.
O Falcão Formiguense foi a uma gráfica e com os recursos de aposentado, cuja renda é de um salário mínimo por mês, mandou fazer algumas dezenas de folhetos. Na mensagem, Frasão não fazia rodeios: ?Estou à procura de uma namorada calma e carinhosa. Pode ser solteira, separada, divorciada ou viúva. Vou dar a ela muito carinho. Sou livre para o amor e não quero viver na solidão. Não tenho vícios, sou eclético, gosto de música e meu hobby é imitar o cantor Falcão…?.
Foi a partir de um desses impressos, nos quais o número do telefone celular de José Frasão, também conhecido como ?Falcão Mineiro?, vinha em destaque, que fomos encontrá-lo em frente à igreja matriz, lá mesmo em Formiga, onde nasceu há 45 anos, na zona rural. Inicialmente desconfiado, ainda sem querer acreditar que estávamos ali para entrevistá-lo, aos poucos o candidato ao amor, que dia e noite está sonhando em conseguir achar uma companheira, começou a abrir o coração. ?Tem gente que se diverte com futebol, outros com baralho, bebida ou fumar cigarro. Já eu, além de imitar o Falcão, do qual sou amigo, gosto mesmo é de mulher. Por isto é que fiz o folheto, para ver se consigo um casamento.
Na sequência, para tentarmos mostrar às prováveis pretendentes quem é mesmo o Falcão Mineiro, fomos à casa da família, no Bairro Sagrado Coração, onde ele, num barracão dos fundos ? ?mas totalmente independente? ? vive em companhia da mãe, Maria das Graças Frazão, do padrasto, Tarcísio, e de dois irmãos, Júlio e Elaine. São sete filhos: os outros já estão casados, trabalhando e cuidando das suas vidas. No terreiro, que tem um bom espaço, no qual futuramente Falcão pretende construir (caso seus planos deem certo), existem três pés de mexerica e uma horta com couves e alfaces. Ali moram ainda, fazendo a alegria de todos, a cachorrinha Polly e, numa gaiola, um pássaro-preto cantador.
Protegido
Mulher simples, de sorriso afável, que também nasceu e viveu na roça, até se mudarem para Formiga na década de 1990, Maria das Graças dá a maior força ao filho, para o qual, com todo o carinho, costura as roupas de Falcão. ?Esta mania de imitar o cantor preenche o vazio, a solidão dele. José é o mais inteligente aqui de casa, faz poesia, canta muito bem. Só que teve paralisia infantil aos 2 anos (quase não movimenta um dos braços) e isso atrapalhou muito a vida dele, o trabalho, os estudos. Além do mais, precisa tomar remédios, que ajudam a controlar os seus momentos de euforia ou angústia?, conta.
Sobre o desejo do seu ?menino? de arranjar uma mulher, ela vive dando conselhos a ele, que às vezes fica muito ansioso para se casar. ?Eu digo que é preciso ter paciência, que o dia dele vai chegar. Além do mais, vida a dois não é fácil, exige muitos sacrifícios e renúncias. Mas como todo mundo tem que ter a sua tampa de panela, com certeza ele também vai ter a sua. Tudo ocorre na hora certa?, filosofa. Enquanto isto, o Falcão, que estava se vestindo a caráter para a foto, entra na conversa: ? Se viver junto é difícil, ficar sozinho é muito pior. No fim de semana, então, quando tudo está parado, é ruim demais?.
É nesses instantes de solidão e sonhos que José Frasão de Oliveira, o Falcão Mineiro, costuma entrar para o quarto, onde começa a cantar na maior altura as músicas do seu ídolo. Ele o conheceu numa apresentação no Teatro da TV Alterosa, em Belo Horizonte. Tirou várias fotos juntos. Às vezes, a mãe, que quase nunca sai de casa, costuma ficar no limite da paciência. ?Porque ninguém aguenta tanta barulhada?. Mas o ?menino? já prometeu a dona Maria das Graças, de pés juntos, que quando aparecer a mulher ideal, a cara-metade, ele para com tudo isso e vai viver só para ela. Também fez um juramento: ?Não irei mais à boate, onde as moças adoram me ouvir cantar, e às vezes jogam até calcinhas para mim?.
Popular
Promessas à parte, já que ninguém é de ferro, fomos com o Falcão Mineiro, já devidamente paramentado, à Praça Getúlio Vargas, no Centro de Formiga. Muita gente conhece o moço, o cumprimenta. A vendedora Marcília do Carmo Vieira, da Casa América, de tecidos, onde ele costuma fazer compras, diz: ? Falcão é famoso aqui na cidade, e agora, depois que sair esta reportagem, irá ficar difícil para ele escolher uma namorada, das tantas que irão aparecer?. Suas colegas de trabalho, Cristiane e Mônica Marilene, também fãs do cover, têm a mesma opinião. Em seguida, andando com ele pela Rua Silviano Brandão, na área central, outra admiradora, Maria Luiza Alves, pede para a pose para uma foto. Falcão aproveita e, em meio a aplausos gerais, canta I love you tonight, um dos maiores sucessos do seu mentor.
Depois que mandou imprimir os folhetos, ?pouco mais de 100?, algumas pretendentes chegaram a se manifestar. Mas uma delas, de acordo com Falcão, era ?muito interesseira, dava até para ver na cara?. E a outra, com a qual chegou até a trocar uns beijos, tinha um pecado: fumava. ?E boca de mulher com cheiro de cigarro é ruim demais?, censura, enquanto aguarda, ansioso, outras manifestações femininas. Porque, afinal de contas, como ele mesmo diz, viver sozinho, sem ter alguém do lado, ?é a pior coisa desta vida?.
O verdadeiro
Marcondes Falcão Maia é cearense, de Pereiro, onde nasceu em 1957. Ganhou fama no início dos anos 1990 com releituras de repertório brega transformadas em espetáculos quase teatrais. Lançou seu primeiro disco, ?Bonito, Lindo e Joiado?, de maneira independente, em 1992. A versão em inglês de Eu não sou cachorrro não (I?m not dog no), de Waldick Soriano, virou um hit. As roupas extravagantes e a estética musical do deboche fizeram com que se tornasse não só popular, mas palatável até mesmo para plateias consideradas mais seletivas.

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