Formiga

Frota de Belo Horizonte vai crescer 70% nos próximos 25 anos

?Quando eu cheguei à capital, na década de 60, havia carroças nas ruas, e os motoristas reclamavam que elas atrapalhavam o fluxo. Hoje, as carroças é que não teriam paciência para andar no nosso trânsito?. A comparação feita pelo engenheiro Maurício de Lana, presidente do Sindicato da Arquitetura e da Engenharia em Minas Gerais (Sinaenco), demonstra a dificuldade de circulação em uma cidade que tem 1,5 milhão de veículos nas ruas. E se já está difícil agora, daqui a 25 anos, com a estimativa para o crescimento da frota de 70%, segundo a entidade, a previsão é que o trânsito pare.
O aumento esperado para a população da capital, no mesmo período, é de 6%, chegando aos 2,6 milhões de habitantes, o que daria um veículo por pessoa ? as projeções foram feitas com base nos ritmos de crescimento desde o ano 2000. Diante desse cenário, especialistas em mobilidade afirmam que não há solução viária que possa resolver o caos. A solução é investir no transporte público.
?O que foi feito até agora foi pensando nos carros, mas essa lógica não será mais possível. Como então atender à demanda de deslocamento? Ampliando o metrô e oferecendo oportunidades para que as pessoas deixem os veículos na garagem?, argumenta o engenheiro de trânsito Silvestre de Andrade.
A prefeitura não informou os gastos com intervenções viárias das últimas duas décadas, mas, segundo cálculos feitos pela reportagem, só com os recursos investidos em obras para o Mundial de 2014, já seria possível tirar do papel, pelo menos, a linha 2 do metrô, que irá ligar o Barreiro ao Calafate e foi orçada em R$ 800 milhões.
?Todos os viadutos que estão sendo inaugurados, como o do bulevar Arrudas, são soluções para o transporte individual. Já o BRT é um bom modelo, mas não para a nossa realidade. Se tivéssemos feito ele há 25 anos, como fez Curitiba (PR), já estaríamos o substituindo pelo metrô?, defende o professor Ronaldo Gouvêa, do Departamento de Engenharia de Transportes da Universidade Federal de Minas Gerais.
A BHTrans e o Estado não disponibilizaram representante para falar sobre o caso.