A teleconferência realizada pelo presidente Jair Bolsonaro com os
governadores, em 25 de março, evidenciou absoluta falta de sinergia entre os
representantes do Executivo no País para o enfrentamento da pandemia da
Covid-19 e suas consequências socioeconômicas. Numa conjuntura global de
extrema dificuldade, que, dependendo da duração do contágio, poderá
constituir-se em uma das mais graves crises de muitas gerações, o que menos
interessa é o apego ao poder e às pretensões políticas.
O Brasil precisa de menos polêmica e mais ação, menos discurso e mais sintonia
por parte dos ocupantes de cargos eletivos. E é preciso que façam isso com
responsabilidade, serenidade e firmeza, para que não passem à sociedade a
inoportuna sensação de que estamos sem liderança, em especial neste momento em
que o Estado deve mostrar-se presente. É hora da antítese ao velho ditado de
que “em casa que falta pão, todo mundo briga e ninguém tem razão”. Ou
seja, é preciso entendimento, paz e bom senso para enfrentar a calamidade,
pois, ante o clima de confronto entre os governantes, é natural que a população
fique angustiada. Empresários e trabalhadores assistem perplexos ao triste
espetáculo do dissenso e desarmonia protagonizado pelas autoridades.
Com racionalidade e humildade, é preciso um grito de alerta em favor da vida e
da manutenção dos empregos e renda dos brasileiros, o que somente será possível
com a preservação das empresas. Elas, responsáveis em sua esmagadora maioria,
já têm implantado medidas concretas para proteger seus colaboradores, buscando,
ainda, não prejudicar o aspecto econômico, garantindo — no limite da
possibilidade de cada uma — salários e benefícios. Cabe enfatizar que o maior
patrimônio de todas as organizações é representado pelas pessoas, e o
empresariado tem consciência disso.
Vê-se, lamentavelmente, que alguns têm relativizado as consequências da
Covid-19 e banalizado até a quantidade de mortes. Atitude errada, pois não se
pode pôr preço à vida. Por isso, é lúcida a posição cuidadosa da classe
empresarial quanto às consequências do novo coronavírus para a saúde e o futuro
dos trabalhadores. Nesse contexto, buscam-se soluções responsáveis,
equilibradas, viáveis e sem riscos para o retorno ao trabalho e à produção.
Os brasileiros querem organizar-se para empreender ações concretas, realistas e
seguras. Em meio à grande emergência nacional e global, é despropositada a
beligerância política. Essa postura está deslocada da realidade, agravando a
tomada de decisões eficazes diante do falso dilema entre vida e economia.
Respostas são necessárias. Governar, assim como gerir empresas, implica,
necessariamente, capacidade de encontrar soluções para crises. Desta forma, com
foco total na realidade presente, devem ser balizados, considerando-se as
recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e autoridades do setor no
País, o prazo e os cuidados necessários para o retorno ao trabalho. Uma volta
sem planejamento, estratégia e responsabilidade poderia ser desastrosa, pois o
recrudescimento do contágio comunitário geraria problema socioeconômico ainda
mais grave. Há referências de outros países que demoraram em impor o isolamento
ou se precipitaram na retomada das atividades, nos quais os danos à saúde e à
economia agravaram-se.
O momento é de união de todos os brasileiros, a começar por seus governantes.
Vamos usar as redes sociais com grandeza de espírito e boa vontade, banindo
fake news e trocando mensagens úteis, de encorajamento e esperança. Com
civismo, cobremos dos políticos que honrem os votos que lhes demos. Também
devemos assumir nossa responsabilidade como cidadãos. Vamos apoiar e enaltecer
os profissionais da saúde, da segurança pública, da coleta do lixo, da
infraestrutura, do campo, do abastecimento e da indústria que estão lutando por
todos nós neste momento.
É hora de relegar o apego a cargos e deixar de lado a vaidade. Precisamos, mais
do que nunca, de humildade, de nos perceber como gente — um povo corajoso e
solidário na guerra da humanidade contra a pandemia da COVID-19.








