O Governo de Jair Bolsonaro tomou posse no dia 1º de janeiro de 2019 e prometeu não fazer política externa pautada pela ideologia.

Nesse sentido, se esperava o governo fazer política externa voltada para o interesse do povo brasileiro, com o objetivo de gerar divisas para o país e aprimorar negócios, com prioridade para fazer laços com países com os quais temos interesses, principalmente aqueles com os quais temos superávits e à procura de novos parceiros e negócios para o Brasil.

A prática tem sido desastrosa.

A última aconteceu na visita de Bolsonaro a Israel quando o Brasil envolveu-se, por iniciativa própria, em um conflito secular entre Israel, Palestina e países árabes.

Nessa visita Bolsonaro criou em Jerusalém um Escritório de Negócios, como saída política e diplomática encontrada para não se indispor com seus eleitores, evangélicos, com o governo de Israel e com os empresários brasileiros do agronegócio. Bolsonaro afirmou que a transferência da embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém deve ser definida até o fim do seu mandato, essa mudança será feita com calma, sem gerar disputa com outras nações, sem a intenção de ofender ninguém, pediu para ser respeitada a autonomia do governo brasileiro.

Os militares brasileiros tinham aconselhado Bolsonaro a não mudar a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém.

O vice-presidente, Hamilton Mourão, afirmou não ter a abertura de Escritório de Negócio em Jerusalém nada a ver com diplomacia.

O agronegócio brasileiro está preocupado com eventuais retaliações dos países árabes, com os quais o Brasil tem um superávit de mais de 8 bilhões de dólares e para onde exportamos 35% de nossa carne e 40% de nosso frango.

Devemos ter ponderação, pois política externa é um jogo muito complicado, vai muito além das afinidades ideológicas, precisa-se pensar no interesse do país e do seu povo. Devemos ter negócios com qualquer país, para gerar persistentes divisas necessárias para viabilizar a inserção da nossa economia no comércio internacional.

Atualmente, cerca de 30% do nosso superávit comercial, 39 bilhões de dólares, é gerado pelas exportações para a China, país socialista. Quer dizer um país socialista nos envia dólares, esses dólares são os mesmos de qualquer outro país, geram no Brasil negócios, empregos e tributos.

Não podemos persistir no caminho de desagradar países com os quais temos superávits comerciais. É muito difícil iniciar negócios com novos parceiros e, em uma eventual perda, é quase impossível reverter.

O atual governo provoca países com os quais temos interesses diretos por razões religiosas e ideológicas, para cumprir promessas de campanha política. Agora, deve ele se lembrar de também cumprir outras promessas como gerar emprego, melhorar a competitividade brasileira, facilitar o comércio e fazer acordos bilaterais internacionais, etc.

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