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Governo lança Desenrola 2.0 para renegociação de dívidas e redução do endividamento no país

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança nesta segunda-feira (4) o programa Desenrola 2.0, uma nova iniciativa voltada à renegociação de dívidas de brasileiros. A proposta busca aliviar a situação financeira de milhões de consumidores e será detalhada em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.

Anunciado previamente em pronunciamento no Dia do Trabalho, o Desenrola 2.0 permitirá a negociação de diferentes tipos de dívidas, incluindo cartão de crédito, cheque especial, crédito rotativo, crédito pessoal e débitos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Segundo o governo, os juros poderão chegar a até 1,99% ao mês, com descontos variando entre 30% e 90% do valor total devido. A proposta também prevê prazos mais longos para pagamento, reduzindo o valor das parcelas para os devedores.

Outro ponto confirmado é a possibilidade de utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), permitindo o saque de até 20% do saldo para quitação de dívidas.

O lançamento do programa ocorre em um cenário de alto endividamento no país. Dados da Serasa apontam que 81,7 milhões de brasileiros estavam endividados em fevereiro.

Além disso, o endividamento das famílias atingiu 49,9% da renda no mesmo período, segundo o Banco Central, aproximando-se do recorde histórico registrado em 2022. A inadimplência também tem crescido entre consumidores e empresas.

O programa foi uma determinação direta do presidente ao ministro da Fazenda, Dario Durigan, ainda no início de sua gestão. A iniciativa reúne diversas frentes, com foco na renegociação de dívidas e na redução do custo do crédito.

As ações serão segmentadas para três grupos principais: famílias, trabalhadores informais e pequenas empresas. A expectativa é que detalhes como duração do programa e formas de adesão sejam divulgados oficialmente no lançamento.

Uma das principais medidas envolve o uso do FGTS para quitação de dívidas. Trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos poderão utilizar até 20% do saldo, desde que consigam negociar descontos mínimos de 40% com as instituições credoras.

O mecanismo prevê que o valor não será sacado diretamente pelo trabalhador. A Caixa Econômica Federal será responsável por transferir os recursos diretamente para o banco credor.

O FGTS possui atualmente saldo de R$ 705 bilhões, sendo que o programa prevê a utilização inicial de R$ 4,5 bilhões, com limite máximo de R$ 8 bilhões.

Como medida adicional, o governo anunciou que participantes do Desenrola 2.0 ficarão impedidos de acessar plataformas de apostas on-line por um período de um ano.

A decisão visa conter o endividamento associado às chamadas “bets”, apontadas pelo governo como um dos fatores que pressionam o orçamento das famílias e dificultam a recuperação financeira.

O Desenrola 2.0 surge como uma tentativa do governo federal de enfrentar o alto nível de endividamento da população brasileira, combinando renegociação de dívidas, acesso a crédito mais barato e medidas de controle financeiro. A efetividade do programa dependerá da adesão de instituições financeiras e da participação dos consumidores.

Com informações do Metrópoles