O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a adotar uma leitura mais pessimista sobre as negociações com os Estados Unidos envolvendo a possível imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. A avaliação atual no Palácio do Planalto é de que há baixa flexibilidade por parte do governo norte-americano e de que as medidas tarifárias tendem a ser efetivadas.
Inicialmente, auxiliares do governo brasileiro acreditavam que a gestão de Donald Trump poderia recuar da proposta de aumento tarifário, ainda que mediante concessões. No entanto, essa percepção mudou nas últimas semanas.
Atualmente, integrantes do Planalto consideram que não há abertura suficiente por parte dos Estados Unidos para negociação, e que as tarifas em discussão devem ser consolidadas, reduzindo as expectativas de reversão da medida.
Há cerca de duas semanas, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação que recomenda a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O relatório questiona práticas comerciais consideradas “desleais”, citando entre os pontos analisados o sistema Pix.
O documento também aborda temas como comércio digital, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.
Em uma segunda apuração finalizada no dia seguinte, o USTR ampliou o escopo para outros 59 países, incluindo o Brasil. Nesse caso, o foco são supostas falhas na prevenção da entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. A recomendação é de uma tarifa adicional de 12,5% sobre as exportações brasileiras.
Somadas, as duas medidas podem resultar em uma taxação de até 37,5% sobre produtos do Brasil. Ambas se baseiam na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974 e ainda passarão por consultas públicas e audiências antes de uma decisão final da Casa Branca. O prazo para contestação vai até 15 de julho, e a implementação depende da aprovação de Donald Trump.
Apesar do cenário considerado desfavorável, o governo Lula mantém a estratégia de insistir no diálogo com os Estados Unidos. A avaliação interna é de que o Brasil deve esgotar todas as possibilidades diplomáticas para tentar evitar a sobretaxa, que pode afetar diversos setores da economia.
A expectativa inicial do Planalto era conseguir ao menos a reversão da tarifa de 25%. Nesse contexto, o governo apostava nas reuniões de um grupo de trabalho bilateral criado no mês passado após encontro entre Lula e Trump na Casa Branca.
Até o momento, o grupo se reuniu duas vezes, sem que as autoridades norte-americanas tenham indicado claramente quais pontos estariam abertos à negociação. O colegiado reúne representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do Itamaraty e do próprio USTR, sendo considerado o principal — e praticamente único — canal formal de diálogo sobre o tema.
Durante a cúpula de líderes do G7, realizada entre terça-feira (16) e quarta-feira (17), em Évian-les-Bains, na França, Lula e Trump estiveram no mesmo evento, mas limitaram-se a cumprimentos protocolares, sem discutir a questão das tarifas.
Após os encontros, Donald Trump voltou a fazer declarações críticas ao Brasil, afirmando que o país estaria se tornando “um pouco duro e perigoso politicamente”. Ele também confundiu o julgamento do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Supremo Tribunal Federal (STF), atribuindo-o erroneamente ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Com informações do Metrópoles







