Dia 20 de Setembro de 1930, um grupo de amigos, encabeçado por José de Oliveira Costa, resolveu fundar um time de futebol para disputar competições daquela época e decidiram chamá-lo de Guarani Esporte Clube. Talvez eles nem imaginassem que este grupo estava dando início a uma das maiores histórias do futebol mineiro, pois esta trajetória já dura exatamente 80 anos.
A partir de sua fundação, o Guarani Esporte Clube se filiou à Liga de Esportes de Divinópolis e começou a disputar o campeonato amador, ganhando títulos e criando uma grande rivalidade na cidade com o Ferroviário Atlético Clube, do Bairro Esplanada, e contava ainda como adversário os times do bairro Afonso Pena, o Escola Profissional, Tupi de Carmo do Cajuru.
Seu primeiro campo (não poderíamos chamar de estádio), se localizava próximo à Praça Benedito Valadares, na avenida Sete de Setembro, bem no centro de Divinópolis. Era cercado de bambu e não tinha arquibancadas. O Guarani jogou ali até 1941, já que sua diretoria da época tinha outras idéias.
Resolveram lotear o local do campo para arrecadar fundos e construir um novo local para jogos e treinamentos com este dinheiro e, neste planejamento, surgiu a construção do estádio que hoje está localizado no bairro Porto Velho ou Niterói. Esta dúvida existe porque muita gente acha que o limite dos dois bairros está na linha férrea, mas muita gente afirma que o limite está no córrego que passa defronte o estádio.
Com isso, o Guarani parou suas atividades no período de 1942 até 1950, quando o estádio ficou pronto e o time voltou a jogar seus compromissos e participar dos campeonatos promovidos pela Liga de Divinópolis.

Década de 50, o recomeço

Na década de 50 é que história começou a ficar mais forte, porque veio o profissionalismo. O Guarani disputou o Campeonato Mineiro a partir de 1958 e não conseguiu boa campanha, pois tinha um time formado apenas por jogadores da cidade e os jogos somente em Belo Horizonte. Essas campanhas foram repetidas nos anos seguintes, até o campeonato de 1961, quando o Guarani terminou como vice-campeão mineiro.
Em 1954, a diretoria do Guarani Esporte Clube resolver melhorar ainda mais o Estádio e instalou-se um sistema de iluminação e, na oportunidade, o Botafogo do Rio de Janeiro foi convidado para a festa. O Botafogo trouxe um então ?desconhecido? chamado Garrincha que participou do jogo e mais tarde seria campeão mundial pela seleção brasileira. Naquela oportunidade, o Botafogo venceu por 4 x 0.
A campanha de 1961 já foi mencionada no site do bugre divinopolitano pelo então jogador Leston, mas naquela oportunidade, além de Leston, outros jogadores se destacaram na competição e até escolhidos como melhores do campeonato como Edson, Bichara e atletas que foram revelados em Divinópolis, como Pauzinho, Ticrim, Panhoto, o goleiro Manga, entre outros.
Em 1964, foi disputado no estádio Independência o último torneio inicio naquela praça esportiva e lá estava o Guarani para participar e ganhar a competição. Jogos eliminatórios, uma semifinal com o Democrata de Sete Lagoas (1 x 0 para o Guarani, gol de Tricim ) e a grande final com o Atlético Mineiro.
O tempo normal do jogo ficou no zero a zero. Veio a decisão de pênaltis. Cada time cobrava 3 penalidades de uma vez. Panhoto cobrou os 3 para o Guarani, marcou 2 e perdeu um. O Atlético cobrou os 3, perdendo 2, que Pedro Bala, goleiro do Guarani ,defendeu e se tornou no grande nome da conquista, e o Guarani se sagrou o campeão do torneio, no início de 1964.
O time que foi campeão: Pedro Bala, Torres, Faria, Mirim, Luizinho,Gonçalves, Panhoto, Jaime, Sinval (Celmão), Ticrim e Edinho. O técnico foi Mário Celso, o popular Marão.
Em 1965, quando o Mineirão foi inaugurado, veio o primeiro rebaixamento do Guarani e começava aí uma triste página na história do bugre, pois, no ano seguinte, não conseguiu ser aprovado na Segunda Divisão e de 1966 até 1975, o representante divinopolitano voltou a disputar somente os campeonatos promovidos pela Liga Municipal de Desportos de Divinópolis.

Desanimar jamais
Quando terminou o campeonato amador de 1975, o então presidente Waldemar Teixeira de Faria conseguiu reunir um grupo de pessoas animadas com a ideia e, juntamente com Zânio Gontijo, voltaram com o profissionalismo do bugre no Campeonato Mineiro. Naquela época, não tinha Segunda Divisão, o time que queria entrar na competição era aceito pela Federação Minera de Futebol (FMF). Em 1976, o Guarani voltou, o campeonato tinha 22 times.
O elenco era formado por vários jogadores de Divinópolis como Miltinho, Araújo, Rubinho, Puxa, Marquinhos, Feupa, mais tarde chegaram vindos do futebol amador, Quentão, Coca, Chocolate, TV e reforços de outros times.
O primeiro jogo foi em 6 de março de 1976, uma vitória sobre o Nacional, de Muriaé, por 1 x 0 com Heleno Maia, no estádio Adriano Maurício ( hoje Farião);
No ano seguinte, chegou Lucinho, vindo do Valério de Itabira, para se tornar num grande nome do Guarani, atleta formado no próprio bugre, mas que não tinha participado do início dos trabalhos de 76, pois tinha contrato com o time de Itabira.
Chegaram mais à frente Hermes, Adilson, Fernando Roberto, o time completo de l984, Hagamenon, Jajá, Jonathan, Joubert, cada um escrevendo de uma maneira sua trajetória na história do bugre divinopolitano.
Uma justa homenagem foi prestada a Waldemar Teixeira de Faria, colocando seu nome no estádio. Anteriormente, chamava-se estádio Adriano Maurício como prêmio a um cidadão carioca que viveu em Divinópolis que ajudou o Guarani no inicio da década de 50. Depois ninguém viu falar mais nele e nem na família dele e como o Waldemar Teixeira de Faria, além de goleiro e presidente dava sua vida para o time, seu nome ficou estampado no portão do estádio.
O apelido Farião não era por causa do tamanho de Waldemar Teixeira de Faria. Um senhor de aproximadamente de 1,80 metro de altura, mas sim por ser o maior estádio da cidade. Ricardo Lúcio conta que quando ia pedir tempo de jogo nas transmissões da Rádio Cultura na época, hoje Rádio Minas, dizia: ?tempo e placar no estádio Waldemar Teixeira de Faria?. Achava aquela frase muito grande. Como já existia o Mineirão, por que não Fariãoi?
Num jogo tomou a decisão de chamar o local de Farião e depois da partida consultou o então chefe de esportes da Rádio Cultura, o saudoso Batistão, e ele concordou com a ideia e simplesmente disse: ?perfeitamente, siga em frente que você terá total apoio?. Isso acontece até hoje.
Oitenta anos se passaram, algumas quedas para a Segunda Sivisão, algumas conquistas na Segundona, como em 1994, 2002 e 2010. O Guarani é o único time que caiu três vezes e conseguiu subir no ano seguinte. Disputou a Taça de Bronze do Campeonato Brasileiro de 1981, fechando no terceiro lugar.
Uma frase do saudoso Batistão: ?Guarani. ruim com ele, pior sem ele?. Esta frase era usada sempre quando as dificuldades colocavam em risco de nova paralisação do futebol profissional.
Não se pode deixar de lembrar de pessoas que fizeram muito pelo bugre na diretoria, na presidência como José Fernandes da Silva, o Paitovo, Said Zaidan, Carlos José de Morais, Marcelo Notini, Geraldo Sobrinho, Zé Maria dos Santos (Carioca), José Cardoso (Cardosinho), Reinaldo Cunha, Edilson de Oliveira, Otacílio de Andrade (mesmo deposto deu sua contribuição) entre outros tantos que não mediram esforços para ver o Guarani sempre grande.

Parabéns Guarani e não desanima não bugre…

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