Ciência e Saúde

Hantavírus: OMS investiga possível surto em cruzeiro com mortes e reforça alerta sobre prevenção

Foto: Reprodução/CNN/Unplash

Um possível surto de hantavírus em um navio de cruzeiro que navegava pelo Oceano Atlântico está sendo investigado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), três pessoas morreram e pelo menos outras três estão doentes a bordo da embarcação.

O que é o hantavírus

O hantavírus é uma cepa viral transmitida por roedores. Seus reservatórios naturais são roedores silvestres, que podem carregar o vírus durante toda a vida sem adoecer. Esses animais eliminam o agente infeccioso no ambiente por meio da urina, saliva e fezes.

Formas de transmissão

A principal forma de contágio humano ocorre pela inalação de partículas suspensas no ar, provenientes de fezes secas de roedores. Quando essas excretas se misturam à poeira, podem formar aerossóis que, ao serem inalados, levam o vírus diretamente aos pulmões.

Outras formas de transmissão incluem mordidas de roedores, contato do vírus com feridas na pele e contato das mãos contaminadas com olhos, boca ou nariz. A transmissão entre pessoas é considerada rara.

O período de incubação varia de uma a cinco semanas, podendo chegar a até 60 dias em casos excepcionais.

De acordo com o último balanço do Ministério da Saúde, até março deste ano foram registrados três casos de hantavírus no Brasil, sendo dois no Rio Grande do Sul e um em Minas Gerais. Em 2025, o país registrou 35 casos, incluindo seis em Minas Gerais.

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) foi procurada para atualização dos dados e ainda não respondeu.

No Brasil e nas Américas, o hantavírus pode causar a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). Os sintomas iniciais incluem fadiga, febre e dores musculares, seguidos por dores de cabeça, tonturas, calafrios e sintomas abdominais.

A doença pode evoluir para quadros graves, como insuficiência respiratória aguda e a Síndrome da Angústia Respiratória (SARA).

No mundo, outra forma da doença é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS), mais comum na Europa e Ásia, que afeta principalmente os rins e pode causar insuficiência renal aguda, pressão baixa e hemorragias internas.

A prevenção do hantavírus consiste principalmente em evitar o contato com roedores silvestres e suas excretas. Entre as recomendações estão:

  • Manter terrenos ao redor de casas e armazéns limpos e sem entulhos;
  • Armazenar alimentos em recipientes fechados e protegidos contra roedores;
  • Evitar varrer a seco locais fechados há muito tempo, preferindo umidificar o ambiente com água sanitária ou desinfetante antes da limpeza.
Tratamento e notificação

Não existe tratamento específico para infecções por hantavírus. Por se tratar de uma doença aguda e de rápida evolução, os casos devem ser notificados em até 24 horas às autoridades de saúde municipais, estaduais e ao Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde.

Com informações do Hoje em Dia