A exposição ao calor intenso ou o excesso de aquecimento de bebês pode provocar hiperaquecimento, uma condição que exige cuidados dos pais e responsáveis. Como o organismo dos pequenos ainda não possui a mesma capacidade de controlar a temperatura corporal de crianças maiores e adultos, o aumento da temperatura pode evoluir rapidamente para desidratação, insolação e outros problemas potencialmente graves.
O pediatra Henrique Gomes, do Hospital Santa Lúcia Norte, em Brasília, explica que os bebês possuem um sistema de regulação térmica ainda imaturo. Eles transpiram menos, absorvem calor com maior facilidade e dependem dos adultos para ajustar roupas, hidratação e condições do ambiente.
Entre os primeiros sinais de hiperaquecimento estão pele muito quente ou avermelhada, surgimento de brotoejas, suor na nuca e no peito, irritabilidade e respiração acelerada.
Em situações mais graves, o bebê pode apresentar prostração, pele quente e seca, vômitos, recusa de líquidos, olhar vago e convulsões. Segundo Henrique Gomes, o excesso de roupas e cobertores durante o sono também representa um fator de risco.
“O superaquecimento no ambiente de sono, com excesso de roupas e cobertores, também aumenta o risco da síndrome da morte súbita do lactente”, alerta o pediatra.
A pediatra Fernanda Soubak, da plataforma INKI, destaca que o hiperaquecimento pode evoluir rapidamente porque os bebês realizam trocas de calor com o ambiente com mais facilidade e ainda não conseguem eliminar esse calor de maneira eficiente.
Nos casos mais severos, a condição pode causar desidratação intensa, alterações nos sais do sangue, choque, lesões nos rins e no fígado, distúrbios de coagulação, convulsões e até consequências fatais.
O risco aumenta especialmente quando os bebês permanecem em veículos fechados ou em locais abafados. “O bebê pode superaquecer em pouco tempo em locais abafados, como no carrinho coberto ou carro quente”, alerta Fernanda.
Também são sinais que indicam necessidade de atendimento médico imediato a sonolência incomum, diminuição da quantidade de urina, dificuldade para respirar e temperatura corporal muito elevada acompanhada de piora no estado geral.
A prevenção depende de cuidados diários, principalmente em períodos de altas temperaturas. Especialistas recomendam o uso de roupas leves e respiráveis, preferencialmente de algodão, com uma quantidade de camadas semelhante à usada pelos adultos.
Outra orientação é manter o aleitamento materno em livre demanda e oferecer líquidos conforme a idade do bebê e a orientação médica. Também é importante garantir ambientes ventilados, utilizar ar-condicionado quando necessário em temperaturas entre 23 °C e 25 °C e evitar passeios nos horários de maior calor.
Pais e cuidadores devem evitar cobrir carrinhos e bebê-conforto com panos ou mantas, pois essa prática pode criar um efeito semelhante ao de uma estufa, elevando rapidamente a temperatura no interior do espaço onde o bebê está.
Além disso, especialistas reforçam que nunca se deve deixar um bebê sozinho dentro de um veículo, mesmo por poucos minutos.
Com a identificação dos sinais de alerta e a adoção de medidas preventivas, é possível reduzir os riscos do hiperaquecimento e proteger a saúde dos bebês em períodos de calor intenso. O acompanhamento atento dos responsáveis é fundamental para evitar complicações e garantir o bem-estar dos pequenos.
Com informações do Metrópoles








