Você sabia que os programas de humor de rádio e televisão estão proibidos de debochar dos candidatos nessas eleições? Qualquer veiculação que se refere aos candidatos está proibida desde o dia 6 de julho pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A política, material farto para a sátira, tornou-se uma espécie de vaca sagrada, intocável. No auge da ditadura militar, o pessoal da farda não tinha lá muitos motivos para que rissem deles, mas, no final, às vésperas da Nova República, governo e políticos tornaram-se alvos preferenciais. Dona Solange Teixeira Hernandes, a doce senhora que personificava a censura oficial, fora afinal vencida.
Mas, hoje, nada explica não poder fazer graça com os políticos. Para os humoristas é como voltar a 30 anos atrás. A proibição está na Lei Eleitoral 9.504 de 1997. Ela diz que em época de campanhas eleitorais, os humoristas estão proibidos de usar qualquer artifício que ou degrade ou ridicularize os políticos.
Programas de TV, rádio, cartunistas que usam o tema político para o humor estão proibidos de utilizar para brincar com os candidatos até o fim do pleito.
O fato gerou indignação nos humoristas. O pai do Menino maluquinho, o escritor e cartunista Ziraldo disse que, se algum companheiro for preso por fazer humor, irá depor a favor do colega sem nenhuma restrição.
A solução encontrada para contornar o problema é evitar quadros, charges e quaisquer referências aos atuais governantes e a quem busca uma das vagas na Presidência da República, governos estaduais, Senado e Câmara dos Deputados.
Portanto, até o fim das eleições, uma das atrações do show estará suspensa, também aqui em nosso jornal. Desculpem-nos, mas acontece que a multa pode chegar a R$ 200 mil.
Constituição Federal: (em vigor ?) ?
art 5º – IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença.

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