Formiga

Impostos tomam 40% do que o trabalhador brasileiro ganha

Na época da Inconfidência Mineira, o grande estopim da revolta foi o fato de que a Coroa portuguesa cobrava um quinto de tudo o que o brasileiro produzia, ou o equivalente a 20%, a título de tributos. Centenas de anos se passaram, e a situação do trabalhador só piora. Hoje, uma média de 40% do seu salário é destinada a pagar tributos.
E a classe média é a mais penalizada. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), quem ganha de R$ 1.000 a R$ 5.000 gasta 42,9% da renda no pagamento de 61 impostos, taxas e contribuições sobre o consumo, a renda e o patrimônio. São desde os que vêm descontados na folha de pagamento até os que estão embutidos em todos os produtos que compramos.
Já os que ganham até R$ 500 destinam 38% ao pagamento de impostos e, os que estão na faixa de renda entre R$ 5.000 e R$ 10 mil, 41,6% da renda.
Para a advogada tributarista Letícia Amaral, do IBPT, o mais prejudicado é quem tem renda mensal de até R$ 3.000. Além de pagar sobre o consumo, ainda paga sobre o patrimônio e a renda em geral, explicou.
A classe média, de acordo com a advogada, não se beneficia das isenções que a classe mais baixa tem. Quem tem renda mediana já paga Imposto de Renda, e quem tem renda alta paga até ó limite (a alíquota máxima é de 27,5% sobre os rendimentos), não importa se está recebendo R$ 1 milhão ou mais, comparou.
Mesmo não estando na faixa de renda mais penalizada, de acordo com os critérios do IBPT, o motorista de caminhão Jeferson Souza, 23, ficou chocado ao saber quanto do seu salário de R$ 679 vai para os impostos. Segundo o livro Dedo na Ferida: Menos Imposto, Mais Consumo (editora Record), nessa faixa de até dois salários mínimos, 52,9% da renda paga tributos. O governo tinha a obrigação de contar para a gente, mas se o povo não cobrar, não adianta, esbravejou o motorista.
Os patrões
Se os impostos pesam para os empregados, não penalizam menos os empresários. A presidente do Conselho do Comércio da Associação Comercial de Minas Gerais (ACMinas), Cláudia Volpini, também não vê lógica na carga tributária.
E ataca com um trocadilho. Quem recebe, recebe muito pouco. Quem paga, paga muito. Traduzindo em números, a empresária informou que, para pagar um salário de R$ 590, o empresário gasta R$ 1.200.