A indústria mineira já demonstra sinais de desaceleração, que levaram, inclusive, a Federação da Indústria do Estado de Minas Gerais (Fiemg) a rever as previsões de faturamento e crescimento da produção para o fim do ano. A expectativa da ampliação da produção industrial caiu de 15% para 13,85%, enquanto o faturamento do primeiro semestre, anunciado segunda-feira (9), com um crescimento de 12,25% em relação aos seis primeiros meses do ano passado, não deve se sustentar. A entidade prevê que feche este ano com um crescimento menor, de 11,48%.
?Vamos encontrar acomodação. O setor automotivo já deu exemplo disso?, afirma o diretor da Fiemg, Lincoln Gonçalves Fernandes. Apesar dos recordes de vendas, o segmento no Estado faturou menos que a média geral da indústria (11,66% contra 12,25%) no primeiro semestre. Na comparação do faturamento do mês de junho com o mês de maio o faturamento caiu 0,57%. Fernandes explica que esse movimento começou a acontecer já no segundo trimestre, quando o governo eliminou as medidas de incentivo ao consumo, como a isenção e redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI). Se levado em conta a comparação entre junho e maio as horas trabalhadas no setor cairam 3,42%.
Outro segmento que já sente os sinais da desaceleração é o de máquinas e equipamentos. Uma análise fria dos números mostra que, entre os ramos de atividade pesquisados, aquele que teve o maior crescimento de faturamento no primeiro semestre: 55,16%. Porém, o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Marcelo Veneroso, explica que apesar do crescimento expressivo aconteceu em cima de uma base muito fraca, principalmente se levada em conta os três primeiros meses do ano passado. ?Isso está lastreado em bases fracas e é preciso ser analisado com muita cautela?, afirma.
Para Veneroso, que é diretor geral da Neuman & Esser, o crescimento do setor passa por um período ?torto?. Ele explica a palavra, dizendo que setores essenciais para economia do Estado, como siderurgia e mineração, não estão realizando grandes compras e, quando compram, buscam maquinário em empresas estrangeiras. Levantamento da Abimaq aponta que a falta de competitividade das empresas brasileiras aumenta em 44% o custo de produção. ?Somos extremamente prejudicados por causa do custo Brasil. Nosso produto não é pior, mas temos problemas de infraestrutura, tributários e outros que não estão na indústria e impactam fortemente no momento de uma concorrência internacional?, reclama Veneroso.
Apesar do crescimento grande do faturamento no primeiro trimestre, o setor já mostrou queda na comparação de junho com maio (-19,91%). Outros indicadores do setor também apontaram queda no período, como horas trabalhadas na produção (-4,65%) e emprego (-1,83%). ?Até o fim do ano devemos empatar com o faturamento do ano passado, talvez até com tendência de queda?, observa Veneroso. O que, na análise do dirigente da Abimaq, incrementa os indicadores do setor são as vendas de máquinas para o consumo, como o de embalagem, madeira, indústria têxtil, construção civil e agronegócio. ?Estamos movidos pelo consumo e não por um crescimento duradouro. Isso tende a ser uma bolha. Vamos saber se é ou não apenas depois que estourar?, conjectura Veneroso.

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