O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) – considerado a prévia da inflação oficial do país – ficou em 0,13% em julho, abaixo da taxa de 0,69% registrada em junho, conforme divulgado nesta terça-feira (26) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Trata-se da menor variação do indicador desde junho de 2020, quando ficou em 0,02%. Em julho do ano passado, a taxa havia sido de 0,72%.

No ano, o IPCA-15 acumula alta de 5,79%, a terceira maior taxa para um mês de julho desde 2000.

Já o indicador acumulado em 12 meses ficou em 11,39%, abaixo dos 12,04% registrado em junho, a maior taxa para um mês de julho desde 2003, quando ficou em 16,01%. Desde setembro, a inflação anual no país está com dois dígitos, muito acima do teto da meta estabelecida pelo governo para este ano.

Dentre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE para o cálculo da prévia da inflação, seis tiveram variação positiva, sendo que em quatro deles o indicador desacelerou na passagem de junho para julho.

  • Veja a prévia da inflação de julho para cada um dos grupos pesquisados
  • Comunicação: -0,05%
  • Habitação: -0,78%
  • Transportes: -1,08%
  • Educação: 0,07%
  • Artigos de residência: 0,39%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,71%
  • Despesas pessoais: 0,79%
  • Vestuário: 1,39%
  • Alimentação e bebidas: 1,16%

Redução do ICMS desacelera a inflação

O IBGE destacou que a maior contribuição para a desaceleração do IPCA-15 de julho, na comparação com junho, partiu da deflação dos grupos de Transporte e Habitação, que variaram, respectivamente -1,08% e -0,78%.

As variações negativas destes dois grupos refletem a redução das alíquotas de ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre combustíveis, energia elétrica e comunicações aplicadas a partir da Lei Complementar 194/22, sancionada no final de junho pelo governo federal.

“A lei federal foi posteriormente incorporada no âmbito das legislações estaduais, contribuindo para o recuo de preços observado nesses grupos”, apontou o IBGE.

O maior impacto da redução do tributo ocorreu sobre a gasolina, item de maior peso individual sobre o IPCA-15, cujo preço médio teve queda de 5,01%, seguido do etanol, com recuo de 8,16%. Já o óleo diesel teve movimento contrário e registrou alta de 7,32% no mês.

Na energia elétrica, houve queda de 4,61%, impactando diretamente na deflação da habitação. Houve redução de ICMS em várias regiões, sendo a mais expressiva registrada em Goiânia, onde o tributo caiu de 29% para 17%, reduzindo a tarifa em 12,02%. Em Curitiba, no Paraná, e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, também houve recuos acima de 12%.

Alimentação mais cara

Dentre os seis grupos pesquisados que tiveram variação positiva em julho, somente dois aceleraram na comparação com junho, sendo a mais intensa registrada em Alimentação e Bebidas – passou de 0,25% para 1,16%. Já o grupo de Despesas Pessoais acelerou de 0,54% para 0,79%

O que mais contribuiu para a aceleração de Alimentação e Bebidas foi a alta de 22,27% sobre o preço médio do leite longa vida, produto que no ano já acumula alta de 57,42%. Com isso, derivados do leite também tiveram aumento, como o requeijão (4,74%), manteiga (4,25%) e queijo (3,22%).

Também se destacou no mês o aumento de 4,03% sobre o preço médio das frutas que, em junho, haviam registrado deflação de 2,61%. Outros alimentos com alta significativa em julho foram o feijão-carioca e o pão francês, cujas variações foram, respectivamente, de 4,25% e 1,47%.

Diante disso, a alimentação no domicílio teve alta de 1,12%, enquanto a alimentação fora de casa teve alta de 1,27%, acima dos 0,74% registrado em junho – tanto o lanche (2,18%) quanto a refeição (0,92%) tiveram variações superiores às do mês anterior (1,10% e 0,70%, respectivamente).

Roupas mais caras

A maior variação na passagem de junho para julho foi registrada no grupo de Vestuário, puxada, sobretudo, pela alta de 1,97% sobre o preço médio das roupas masculinas – as femininas subiram 1,32% no mês. Também tiveram aumento superior a 1% os preços dos calçados e assessórios femininos.

Quatro capitais com deflação

Das 11 regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE para o cálculo do IPCA-15, seis registraram índice superior ao nacional e quatro tiveram deflação, sendo a mais expressiva registrada em Goiânia devido ao impacto das quedas de 11,91% na gasolina e de 12,02% na energia elétrica.

A inflação mais alta foi registrada em Recife, onde o indicador acelerou de 0,84% em junho para 0,87% em julho. Nas demais seis regiões que tiveram variação positiva o índice desacelerou na comparação com o mês anterior.

Fonte: G1

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