A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros começou a valer na madrugada desta quarta-feira (22/7). A medida, anunciada pelo governo do presidente Donald Trump na semana passada, pode impactar cerca de 18% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano.
Segundo estimativas da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o percentual corresponde a cerca de US$ 7,4 bilhões em exportações.
De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, os setores mais afetados pela nova tarifa são os de madeira, máquinas e equipamentos elétricos, móveis, produtos cerâmicos, calçados e açúcar.
Para reduzir os impactos da medida, o governo federal anunciou um pacote de apoio aos exportadores, que inclui linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de ações para facilitar a abertura de novos mercados e o escoamento da produção para outros países.
A tarifa foi confirmada no último dia 15 pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O governo americano justificou a decisão alegando que o Brasil adota práticas comerciais consideradas “desleais”.
O governo brasileiro, no entanto, avalia que a decisão tem um forte componente político. Integrantes do Palácio do Planalto entendem que, embora o aumento de tarifas faça parte da política comercial adotada por Donald Trump, a medida também teria relação com pressões envolvendo o governo brasileiro e o Supremo Tribunal Federal em assuntos ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Apesar das críticas, o Brasil afirma que pretende manter o diálogo com os Estados Unidos. O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que a Lei da Reciprocidade Econômica pode ser utilizada como instrumento de defesa, mas descartou, por enquanto, uma resposta imediata.
“A ideia não é retaliação. Dizem que no ‘olho por olho’, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, afirmou Alckmin. Segundo ele, a prioridade do governo é negociar para tentar reduzir ou reverter a cobrança.
Fonte: Agência Content Box







