A Justiça Federal da Bahia acatou pedido do Ministério Público Federal (MPF) e suspendeu temporariamente, por meio de uma liminar, as obras de transposição das águas do rio São Francisco. A decisão foi tomada para que ocorra uma reavaliação das terras indígenas ao longo da Bacia de São Francisco.
Segundo o MPF, o projeto não poderia ter sido aprovado pelo Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) por três razões: o aporte hídrico pleiteado para a transposição é alvo de um procedimento administrativo no Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, que ainda não foi analisado; o projeto viola o Plano de Recursos Hídricos, pois visa ao aproveitamento para usos econômicos da água; e o projeto viola também os princípios da gestão descentralizada da água e da participação popular.
O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio (centro) que está em jejum há 14 dias, em protesto contra as obras de transposição do rio São Francisco, aparece em foto do último dia 9, quando era conduzido por cortejo indígena em Sobradinho (BA)
O bispo de Barra (BA), D. Luiz Flávio Cappio, que está em greve de fome há 15 dias em protesto contra o projeto de transposição, recebeu com alegria a notícia. A liminar aponta para um final feliz, acredita o religioso, que está hospedado na Capela de São Francisco, em Sobradinho (BA),a 554 quilômetros a noroeste de Salvador.
Apesar disso, o bispo garante que o jejum continua até que as tropas do Exército que tocam as obras, nos municípios de Cabrobó e Alta Floresta, em Pernambuco, sejam definitivamente retiradas dos canteiros.
O presidente Lula deve receber hoje, em Brasília, representantes da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) para discutir a greve de fome de D. Luiz Flávio. O bispo disse ontem que ainda acredita em uma solução para a greve de fome: O Brasil tem muita gente inteligente, não vão deixar para negociar sobre o cadáver de um bispo.
Ele disse ainda que o governo fez calar as forças sociais ao trair a causa que defendia, tornando-se refém dos grandes, e apoiou as manifestações do MST e da Via Campesina. Segundo ele, tais mobilizações são importantes para a redescoberta de identidades pelos próprios movimentos sociais.

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