De janeiro a agosto deste ano, a lista de espera por um transplante contemplava 6.003 pessoas em Minas Gerais. O número representa aumento de 45% em comparação a todo o ano de 2021, que fechou com 5.634 listados; e de 2019, quando a lista continha 4.132 nomes. Os números são da Secretaria Estadual de Saúde, com dados do MG Transplantes.

Já os números de transplantes realizados vêm caindo desde 2019, no estado. Nesse ano, foram 2.512 transplantes. Em 2021, o número caiu para 1.733. Em 2022, até agosto, foram realizados 1.301 transplantes, o que representa diminuição de 48%.

Em 2020, por causa da pandemia, o cenário não era favorável às doações. Estes dados não foram considerados.

O que pode ser doado

Entre os órgãos que podem ser doados estão rim, coração, fígado e pâncreas (veja mais abaixo). Tecidos também podem ser doados, como córnea, escleras e medula óssea. Neste ano, até agosto, foram completados 162 transplantes de medula óssea.

O dia 17 de setembro (neste sábado) é considerado o Dia Mundial do Doador de Medula Óssea. De acordo com o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome), o Brasil possui o terceiro maior banco de doadores do mundo, com mais de 5 milhões de doadores cadastrados. De janeiro a agosto deste ano, 10.080 pessoas se cadastraram.

O que é medula óssea?

A medula óssea é encontrada no interior dos ossos e constitui-se por tecido líquido-gelatinoso. Ela produz os componentes do sangue, incluindo as hemácias (ou células vermelhas), responsáveis pelo transporte do oxigênio na circulação; os leucócitos (ou células brancas), agentes mais importantes do sistema de defesa do nosso organismo; e as plaquetas, que atuam na coagulação do sangue.

O transplante de medula óssea beneficia pacientes com produção anormal de células sanguíneas, geralmente causada por algum tipo de câncer no sangue, como leucemias e linfomas, além de portadores de aplasia medular, entre outras doenças.

A compatibilidade para o transplante é verificada pela semelhança entre os antígenos dos leucócitos do doador com os do receptor, por meio do exame de HLA (Antígenos Leucocitários Humanos).

Segundo a Redome, a chance de encontrar um doador compatível entre irmãos, que sejam filhos do mesmo pai e mãe, é estimada em 25% 30%, aproximadamente. Entre pessoas que não são parentes essa possibilidade pode chegar a 1 para 100.000 candidatos cadastrados.

Por isso, quanto mais pessoas se candidatarem, maiores são as chances de encontrar o doador ideal para os pacientes que precisam de transplante.

Constantemente é feito um cruzamento de dados entre o resultado de HLA do doador cadastrado no Redome e o do paciente, informação que fica armazenada no Registro Nacional de Receptores de Medula Óssea (Rereme).

Quando a compatibilidade acontece, o candidato é novamente consultado para decidir sobre a doação. Com a confirmação do doador, outros testes sanguíneos são feitos para confirmar a compatibilidade. Em seguida, o candidato passa por rigorosos exames para avaliação da sua saúde e, se tudo estiver dentro dos parâmetros, ele se tornará um doador.

Como ser um doador de medula óssea?

O cadastro de doadores é feito pela Fundação Hemominas, uma das instituições que mais registra candidatos à doação de medula óssea no Brasil.

Para se tornar um doador, os candidatos devem ter entre 18 e 35 anos, boa saúde e não apresentar doenças como as infecciosas ou as hematológicas; apresentar documento oficial de identidade, com foto, e preencher os formulários disponíveis no site.

Como ser doador de órgãos?

É importante deixar claro para a família o seu desejo de ser um doador de órgãos. Não é necessário deixar nenhum registro por escrito, mas é importante que eles tenham conhecimento da sua decisão para autorizar a doação por escrito após a sua morte.

A doação de órgãos é um ato pelo qual você manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.

Veja a lista de órgãos que podem ser doados:

  • Córneas (retiradas do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidas fora do corpo por até 14 dias);
  • Coração (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo seis horas);
  • Pulmões (retirados do doador antes da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por no máximo seis horas);
  • Rins (retirados do doador até 30 minutos após a parada cardíaca e mantidos fora do corpo até 48 horas);
  • Fígado (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);
  • Pâncreas (retirado do doador antes da parada cardíaca e mantido fora do corpo por no máximo 24 horas);
  • Ossos (retirados do doador até seis horas depois da parada cardíaca e mantidos fora do corpo por até cinco anos);
  • Medula óssea (se compatível, feita por meio de aspiração óssea ou coleta de sangue);
  • Pele;
  • Valvas Cardíacas.
  • Fonte: G1

 

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