O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) informaram que vão apurar a responsabilidade das Lojas Americanas no caso de cinco bolivianos flagrados em condições análogas às de escravos em uma oficina de costura em Americana (SP).
Ela foi montada de forma clandestina nos fundos do quintal de uma área residencial, na periferia da cidade. O dono, originário da Bolívia, mantinha parentes trabalhando em um barracão improvisado, em condições insalubres. No momento da fiscalização, nenhum trabalhador possuía registro em carteira de trabalho. Há indícios de aliciamento de mão de obra, fato que ainda está sob investigação.
A pequena fábrica têxtil recebia R$ 2,80 por cada peça produzida para uma marca infantil, empresa também de Americana, cuja única cliente é a rede varejista Lojas Americanas, segundo o MPT.
Em nota, o MPT afirma que as roupas eram postas à venda nas Lojas Americanas, com a etiqueta Basic+ Kids. A rede varejista possui o registro da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) desde fevereiro de 2006, conforme consta do site da entidade na internet. A fiscalização do trabalho encontrou na oficina peças piloto (modelo do vestuário que é reproduzido pelos costureiros) e etiquetas da marca.
Procurada, a Lojas Americanas informou, por meio de nota à imprensa, que repudia qualquer tipo de trabalho realizado em condições degradantes, e que desconhecia o que foi verificado pelo Ministério Público do Trabalho. A Lojas Americanas informa ainda que cancelou as atuais relações comerciais com o referido fornecedor , afirma a companhia.
Segundo o MPT, os estrangeiros foram resgatados e receberam direito ao seguro-desemprego. A empresa recebeu 23 multas pelas irregularidades apontadas e todos os envolvidos podem ser processados.

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