Internacional

Lula afirma que pretende falar com Trump em meio à crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a escalada da crise diplomática entre os dois países. Apesar da intenção manifestada pelo chefe do Executivo brasileiro, o contato entre os dois líderes ainda não tem data prevista.

A declaração foi feita durante entrevista ao canal Os Três Elementos, nessa quarta-feira (5). Na ocasião, Lula não relacionou diretamente a futura conversa aos recentes atritos entre Brasil e Estados Unidos, mas ao objetivo de dialogar com líderes das grandes potências sobre os conflitos em andamento no mundo.

Durante a entrevista, Lula destacou a necessidade de maior atuação dos integrantes permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas para buscar soluções para as guerras em curso.

Segundo o presidente, na semana passada ele conversou com o presidente da China, Xi Jinping, sobre a necessidade de uma reunião do Conselho de Segurança. Lula também afirmou ter falado, na terça-feira (4), com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e disse que pretende fazer o mesmo com Donald Trump.

“O mundo está precisando de paz, e não de guerra. Semana passada, eu liguei para o Xi Jinping para falar sobre a necessidade do Conselho de Segurança se reunir. Na [terça-feira (4)] falei com meu amigo (Vladimir) Putin para eles se reunirem. Vou falar com o Trump também. São cinco pessoas [no Conselho de Segurança da ONU]. Se reúnam, tomem café, uísque, qualquer coisa. E se reúnam para decidir o que vai fazer com o mundo”, declarou.

De acordo com interlocutores do Palácio do Planalto ouvidos pela reportagem do Metrópoles, sob condição de anonimato, uma conversa entre Lula e Trump não está descartada.

Segundo essas fontes, o diálogo poderá abordar tanto o cenário geopolítico internacional quanto a atual crise diplomática entre Brasília e Washington. No entanto, até o momento, não há articulação para que a ligação ocorra.

A crise diplomática entre os dois países ganhou novos desdobramentos na terça-feira (4), quando o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou a alteração no status do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti.

Embora a medida não altere sua atuação como representante oficial do Brasil nos Estados Unidos, o visto de múltiplas entradas foi revogado. Com a mudança, a embaixadora passa a ter autorização para apenas uma entrada no país. Caso deixe o território norte-americano, será necessário solicitar um novo visto para retornar.

A decisão foi interpretada por integrantes do Palácio do Planalto como um ato político e mais uma iniciativa dos Estados Unidos que demonstraria interesse em interferir no processo eleitoral brasileiro.

Além da alteração no visto da embaixadora, o governo norte-americano prorrogou por mais um ano o chamado “estado de emergência” relacionado ao Brasil.

Segundo as informações apresentadas, a medida não produz efeitos práticos imediatos, mas poderá servir como justificativa para a adoção de sanções ou outras ações contra o país.

 

Com informações do Metrópoles