Política

Lula defende retirada de credenciais de agente dos EUA e cita princípio da reciprocidade

Foto: © Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elogiou, nessa quarta-feira (22), a decisão do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, de retirar as credenciais diplomáticas de um agente de imigração dos Estados Unidos que atuava na sede da corporação, em Brasília. A medida foi adotada com base no princípio da reciprocidade entre os países.

Segundo Lula, a iniciativa brasileira ocorreu após os Estados Unidos determinarem a saída do delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho do território norte-americano.
“Eles fizeram conosco, a gente vai fazer com eles. Esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, afirmou o presidente em vídeo publicado nas redes sociais, ao lado de Andrei Rodrigues e do ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva.

Mais cedo, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou, em nota divulgada na rede X, que a representante da embaixada dos Estados Unidos foi comunicada, na terça-feira (21), sobre a aplicação do princípio da reciprocidade.

De acordo com o comunicado, a decisão norte-americana foi considerada “sumária” e não seguiu os procedimentos previstos em acordo bilateral de cooperação policial, que incluem pedido de esclarecimento e tentativa de diálogo prévio.

O Itamaraty também destacou que a medida dos Estados Unidos não observou práticas diplomáticas esperadas entre países com mais de 200 anos de relações, como Brasil e EUA. Ainda segundo a pasta, o agente brasileiro atuava com base em um memorando de entendimento firmado entre os dois governos para facilitar o intercâmbio de oficiais de ligação na área de segurança.

O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou, na segunda-feira (20), que solicitou a saída de um “funcionário brasileiro” do país. Embora o nome não tenha sido divulgado oficialmente, a indicação é de que se trata de Marcelo Ivo de Carvalho, da Polícia Federal.

O delegado teria participado da prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, ocorrida na cidade de Orlando, nos Estados Unidos. Ramagem foi solto na quarta-feira (15), após permanecer dois dias detido na Flórida.

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão em ação relacionada à trama golpista. Após a condenação, ele perdeu o mandato, deixou o país e passou a residir nos Estados Unidos.

Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de pedido formal de extradição do ex-deputado, por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Segundo a Polícia Federal, a prisão de Ramagem foi resultado de cooperação internacional entre Brasil e Estados Unidos. Ele é considerado foragido da Justiça brasileira, condenado por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado democrático de direito.

Durante o mesmo pronunciamento, Lula anunciou a contratação de mil novos agentes para a Polícia Federal. Os profissionais deverão atuar em portos, aeroportos e regiões de fronteira.

De acordo com o presidente, a medida integra o compromisso do governo federal no combate ao crime organizado e no fortalecimento das ações de segurança pública no país.

A retirada das credenciais do agente norte-americano marca mais um capítulo nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos no campo da cooperação policial. O governo brasileiro defende que a medida segue o princípio da reciprocidade e sinaliza a expectativa de retomada do diálogo entre os dois países.

Com informações da Agência Brasil