Uma região pouco explorada do corpo pode estar envolvida nos mecanismos da dor crônica. Um estudo liderado por pesquisadores da Harvard Medical School identificou sinais de atividade imune aumentada na medula óssea do crânio de pessoas com dor persistente.
Os resultados foram publicados na terça-feira (2), na revista Science Translational Medicine. A análise sugere que essa resposta do sistema imune pode estar relacionada tanto à intensidade da dor quanto à presença de sintomas como ansiedade e depressão.
Para realizar a pesquisa, os cientistas analisaram exames de imagem de 125 adultos com dor crônica. Desse total, 88 apresentavam dor nas costas e 37 tinham osteoartrite no joelho. Os resultados foram comparados com os exames de 22 pessoas que não apresentavam dor.
Nos participantes com dor crônica, foram identificados níveis mais elevados da proteína TSPO em diferentes regiões do crânio, especialmente nas áreas frontal e parietal. A proteína está associada à atividade de células do sistema imune.
Os pesquisadores também observaram que os sinais mais intensos estavam relacionados a relatos de maior intensidade da dor e de maior interferência do problema nas atividades do cotidiano.
A medula óssea presente no crânio é responsável pela produção de células de defesa. Estudos anteriores já haviam identificado pequenos canais que conectam essa região ao revestimento do cérebro, formando uma via direta de comunicação.
De acordo com os novos dados, essa conexão pode participar de processos relacionados à dor crônica.
“Descobertas em outras doenças sugerem que a ativação da medula óssea do crânio pode fazer parte de uma resposta compartilhada por diferentes condições”, afirmam os autores do estudo.
Para aprofundar a investigação, os pesquisadores também analisaram amostras de tecido do crânio de dois doadores. Um deles tinha histórico de dor crônica.
Nesse caso, a medula óssea apresentou mais que o dobro de células em comparação com o controle, além de uma proporção maior de células associadas à proteína TSPO.
Apesar do número reduzido de amostras, os resultados seguiram a mesma tendência identificada nos exames de imagem.
Os pesquisadores ressaltam que o estudo não permite determinar se a atividade aumentada da medula óssea do crânio provoca a dor ou se, ao contrário, é uma consequência dela.
Uma das hipóteses levantadas é que sinais provenientes do cérebro ativem células imunes nessa região. Essas células, por sua vez, poderiam contribuir para processos inflamatórios relacionados à dor.
A equipe afirma que novas pesquisas serão necessárias para investigar esse mecanismo com maior profundidade e avaliar se a região poderá se tornar um possível alvo de futuras abordagens terapêuticas.
Com informações do Metrópoles






