A administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixará uma herança na máquina pública mais duradoura, embora menos visível, que os aumentos do quadro de pessoal e dos salários do funcionalismo: sob pressão das corporações, foi triplicada nos últimos anos a quantidade de carreiras no Poder Executivo.

Antes criadas para as categorias da elite do serviço público, como auditores-fiscais, diplomatas ou advogados da União, as carreiras passaram a contemplar as demandas de órgãos em particular e seus funcionários de escalões mais baixos. No caso mais radical, um único hospital, o das Forças Armadas, reúne hoje três carreiras exclusivas. De 2002 para cá, saltou de 31 para 108 o número de carreiras civis listadas na tabela de remuneração dos servidores federais, publicada periodicamente pelo Ministério do Planejamento, segundo reportagem da Folha de S. Paulo.
O governo Lula buscou reduzir as diferenças entre o topo e a base da pirâmide salarial do funcionalismo, afirma Marcela Tapajós, diretora de Relações de Trabalho do Planalto: O serviço público estava extremamente elitizado.
No caso do Hospital das Forças Armadas, segundo Marcela Tapajós, as carreiras buscam apenas enfrentar a precariedade existente na força de trabalho.

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