Cerca de 4 milhões de carros, ônibus e caminhões circulam no Brasil com graves problemas de fábrica. São falhas elétricas, mecânicas e até em itens de segurança. A estimativa é do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) que diz que, de cada dez consumidores, quatro não atendem aos chamados de recall das montadoras para solução de problemas de fabricação.
De janeiro a agosto de 2012, cerca de 140 mil donos de veículos ignoraram os pedidos de recall. Desde 1991, quando essa prática passou a ser adotada no Brasil, mais de 10 milhões de consumidores já foram convocados a corrigir problemas nos veículos.

O desinteresse nos recalls não acontece só aqui. Se no Brasil o índice é de 40%, nos Estados Unidos é de 50%, diz o diretor da Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), Francisco Satkunas. É realmente um transtorno ter de levar o carro à concessionária e possivelmente ficar sem ele por mais de um dia. Porém, mais do que tudo, esse é um ato de segurança, explica.

Segundo Satkunas, os pedidos mais comuns de recall são para substituição de peças vindas de fornecedores. Mais ou menos 70% dos casos são de material que vem dos fornecedores, e uns 20%, de montagem. Os outros 10% são falhas em projetos de engenharia, diz. Ele explica que cada peça de um carro é fabricada por um fornecedor diferente, cabendo à montadora juntar as peças. Elas geralmente vêm com qualidade assegurada. Por isso, a maior parte das falhas na fabricação acontece quando há mudanças de fornecedores, diz.

Para estimular uma maior adesão dos consumidores aos chamados de recall, o governo, por meio do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), publicou uma portaria em março de 2011 que obriga as montadoras a enviarem relatórios dos atendimentos de recall. Com base no número do chassi do veículo e no número do Registro Nacional de Veículos (Renavan), o governo controla os recalls. Os que não forem atendidos terão os pedidos de transferência de veículos bloqueados.

Direitos
A coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Maria Inês Dalci, diz que o esforço para incentivar a adesão aos recalls é mais pelo cidadão que pelo consumidor. A preocupação maior é pela segurança, porque acho que as pessoas não têm consciência do risco que estão correndo quando deixam de corrigir um problema de fábrica.

Maria Inês explica, no entanto, que mesmo os consumidores que não fizeram o recall dos veículos têm os mesmos direitos daqueles que atenderam aos chamados. Quem não solucionou o problema do carro já vai enfrentar problemas na hora de transferir o veículo e já está correndo riscos. Ela afirma ainda que, em qualquer situação, o fabricante segue sendo o principal responsável. Nada disso tira a responsabilidade da empresa. O consumidor não pode ser penalizado por um erro do fabricante, conclui.

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