O quarto caso de roubo seguido de morte na Grande Belo Horizonte em três dias disparou o alerta para a escalada dos registros de latrocínio em Minas, onde o total de ocorrências supera o acumulado em todo o ano passado. A última vítima foi a empresária Idalete Cláudia Borges dos Santos, de 52 anos. Ela foi assassinada com um tiro nas costas no apartamento onde vivia com a família, na Rua Rio Madeira, no Bairro Amazonas, em Contagem, por um assaltante que invadiu o imóvel. Um dos filhos da empresária, F.B.S., de 24, também foi baleado. O disparo acertou o ombro do rapaz e a bala perfurou o pulmão, mas ele passou por cirurgia e está fora de perigo. Ninguém foi preso. 

A morte de Idalete, dona de uma loja de aluguel de vestido de noivas localizada perto do prédio onde ela vivia, se soma a três latrocínios registrados na capital desde a terça-feira, quando o taxista e policial militar reformado José Ribeiro Filho, de 68, foi morto com cinco tiros no Bairro Califórnia, Região Noroeste. Na quarta-feira mais duas pessoas morreram em assaltos na cidade. O engenheiro ambiental Flávio José Fróes de Oliveira, de 48, foi baleado durante arrastão a um prédio no Bairro Calafate, Região Oeste. No mesmo dia, o estudante Thales Martins das Costa Filho, de 27, foi assassinado a facadas na Avenida Francisco Sales, Bairro Floresta, Região Leste. 

Os crimes vão engrossar as estatísticas da Polícia Civil, que, apenas até agosto já havia contabilizado em todo o estado 63 casos de latrocínio (média de 7,8/mês), mais que os registrados nos 12 meses de 2014, quando 59 pessoas perderam suas vidas durante assaltos (4,9/mês). Mas o quadro pode ser ainda mais grave. Segundo a corporação, o quantitativo é feito com base apenas nos registros de mortes ocorridas logo após o roubo. A quantidade real de vítimas pode ser ainda maior, já que não são contabilizadas as vítimas que morreram em hospitais, depois da confecção do boletim de ocorrência. Esse tipo de crime extrapolou as estatísticas do ano passado também na capital: de janeiro a agosto foram oito casos, contra sete em todo ano de 2014. 

No crime registrado ontem em Contagem, uma amiga e uma vizinha da vítima, que pediram para não ser identificadas, contaram que a empresária e o marido,  C.M.S., de 53, haviam chegado ao apartamento por volta da meia-noite, minutos antes de o crime ocorrer. O casal, que mora há dois anos no edifício de quatro andares e oito unidades, com os filhos de 24 e 22 anos, costumava passar as quartas-feiras em um sítio.

Eles se preparavam para dormir quando o ladrão, com um revólver na mão, pulou na varanda e invadiu o quarto. O ciminoso teve de escalar um muro de cerca de três metros da residência vizinha, passar pela cerca elétrica e atravessar pelo telhado da área privativa do primeiro andar. 

“A Idalete ainda se levantou para fechar a porta, mas não teve tempo”, contou a vizinha. Segundo ela, o criminoso empurrou a porta e apontou a arma para o casal. Assustada, a empresária começou a gritar. Ainda de acordo com a testemunha, o filho F. correu em auxílio da mãe e entrou em luta com o bandido no corredor do imóvel. 

O criminoso conseguiu empurrar o jovem contra a cama de seu quarto e atirou na sequência, atingido o rapaz. Ainda segundo a testemunha, depois de ferir o jovem, o ladrão retornou ao quarto do casal e, ao ver Idalete fechando a porta, atirou e fugiu em seguida. O disparo atingiu as costas da vítima, que morreu minutos depois. 

Testemunhas disseram aos militares do 39º BPM que viram o assassino entrando em um Gol azul, modelo antigo, conduzido por um comparsa. O rapaz baleado foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital Municipal de Contagem, onde passou por cirurgia. Ele está internado, mas fora de perigo. O caçula dormia no momento da confusão e só acordou depois que a mãe e o irmão foram baleados.  

Roubos tem aumento de 20%

O combate aos roubos em Minas continua sendo um dos maiores desafios da segurança pública. De acordo com levantamento da Secretaria de Estado de Defesa social, os registros de janeiro a setembro cresceram de 68.782
para 82.567 – aumento de 20,04% se comparados ao mesmo período de 2014. Outro crime que cresceu no período foi a tentativa de estupro contra menores de idade, de 174 para 189, elevação de 8,62%. O balanço aponta que outros sete tipos de crimes caíram, entre eles homicídios (-6,42%), tentativas -13,68%)eestupros (-5,81%).

Jornal Estado de Minas

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