Ciência e Saúde

Ministério da Saúde e Hospital Einstein desenvolvem inteligência artificial para identificar doenças de pele

Foto: © Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

Uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Einstein Hospital Israelita está desenvolvendo um sistema de inteligência artificial para auxiliar profissionais da rede pública na triagem e identificação de doenças de pele. A tecnologia, chamada CUTIS-AI, utiliza imagens das lesões dos pacientes, associadas a informações clínicas, epidemiológicas e sociodemográficas que representam a diversidade da população brasileira.

Ainda em fase de estudo, a ferramenta já apresenta uma taxa de acerto de aproximadamente 80% e busca ampliar a capacidade de diagnóstico, especialmente em regiões com menor disponibilidade de médicos especialistas.

A proposta é utilizar a inteligência artificial como instrumento de apoio aos profissionais de saúde, sem substituir a avaliação clínica realizada durante o atendimento.

O sistema CUTIS-AI foi desenvolvido para auxiliar na identificação de doenças que podem apresentar dificuldades de reconhecimento na rotina dos serviços de saúde pública.

Entre as condições que podem ser identificadas pela ferramenta estão:

  • Esporotricose;
  • Leishmaniose cutânea;
  • Hanseníase;
  • Cromoblastomicose;
  • Lobomicose;
  • Tuberculose cutânea;
  • Lesões provocadas por acidentes loxoscélicos, relacionados à picada da aranha-marrom.

O funcionamento da tecnologia é baseado na análise de fotografias das lesões cutâneas, combinadas com informações clínicas e características dos pacientes.

O aplicativo que permite utilizar a inteligência artificial foi desenvolvido a partir de entrevistas com profissionais que atuam na Atenção Primária à Saúde. Outro diferencial é a possibilidade de funcionamento mesmo em localidades sem acesso à internet, facilitando sua utilização em regiões com limitações de conectividade.

Embora ainda esteja em fase de estudo, o CUTIS-AI já alcançou aproximadamente 80% de acerto na identificação das doenças analisadas.

A ferramenta foi concebida para ampliar a capacidade dos profissionais de saúde de reconhecer alterações na pele, principalmente em locais onde o acesso a especialistas é mais limitado.

A cientista de dados do Einstein Hospital Israelita, Isabelle Carvalho, destacou que a iniciativa pretende oferecer recursos tecnológicos que contribuam diretamente para o atendimento na rede pública.

“O CUTIS-AI foi criado para ampliar a capacidade de identificação dessas doenças, que ainda podem representar um desafio para os profissionais de saúde, especialmente em regiões com menor disponibilidade de especialistas. Ao reunir imagens das lesões, estamos construindo uma base de dados robusta, que contribuirá para o desenvolvimento de uma tecnologia útil na ponta, principalmente para a Atenção Primária à Saúde”, afirmou.

O desenvolvimento do sistema conta com uma base de dados construída a partir de aproximadamente 1,4 mil pacientes já analisados. Ao todo, o estudo reúne mais de 4 mil imagens de lesões de pele.

A diversidade dos registros é considerada fundamental para aprimorar o desempenho da inteligência artificial. Quanto maior a variedade de exemplos disponíveis, maior a possibilidade de o sistema aprender a reconhecer diferentes características das lesões e suas manifestações em distintos grupos populacionais.

Nesse processo, são consideradas as diferenças de tonalidade da pele, condições de vida, localização geográfica e características epidemiológicas dos pacientes.

O secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Fabiano Geraldo Pimenta Junior, ressaltou a importância de desenvolver uma tecnologia baseada nas características da população brasileira.

Segundo ele, sistemas de inteligência artificial aplicados à saúde precisam ser treinados com dados diversificados para evitar limitações quando utilizados em diferentes grupos populacionais.

“Quando falamos em inteligência artificial aplicada à saúde, a qualidade e a diversidade dos dados são fundamentais. Uma tecnologia desenvolvida a partir de uma população específica pode não apresentar o mesmo desempenho quando aplicada a outros grupos. Por isso, construir uma base brasileira, com diferentes fototipos de pele, regiões, condições de vida e perfis epidemiológicos é essencial”, destacou.

A construção de uma base de dados nacional permite considerar particularidades da população brasileira e contribui para o desenvolvimento de uma ferramenta mais adequada à realidade dos serviços públicos de saúde.

A iniciativa CUTIS-AI representa uma tentativa de incorporar recursos tecnológicos à Atenção Primária à Saúde, ampliando as possibilidades de identificação de doenças dermatológicas e auxiliando profissionais que enfrentam dificuldades de diagnóstico em determinadas regiões.

Apesar dos resultados iniciais, o sistema não pretende substituir médicos ou outros profissionais responsáveis pela avaliação dos pacientes. A inteligência artificial deverá funcionar como ferramenta complementar, oferecendo informações que auxiliem na triagem e no reconhecimento de possíveis doenças.

Com o avanço dos estudos e a ampliação da base de imagens, a expectativa é aprimorar a capacidade de identificação da tecnologia e contribuir para um atendimento mais qualificado, especialmente em localidades com menor acesso a especialistas.

 

Com informações da Agência Brasil