Estudo aponta potencial de substância no controle do apetite
Uma descoberta envolvendo o sangue de pítons pode contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos contra a obesidade. Pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder identificaram uma molécula com potencial para atuar como supressora do apetite, o que pode levar a tratamentos mais eficazes e com menos efeitos colaterais.
O estudo foi publicado na revista científica Nature Metabolism na última quinta-feira (19).
Pesquisa analisou comportamento alimentar das serpentes
A pesquisa analisou o sangue de pítons após a alimentação. Essas serpentes são conhecidas por ingerirem presas de grande porte e permanecerem longos períodos sem se alimentar, mantendo o organismo equilibrado mesmo após refeições volumosas.
Durante a investigação, os cientistas identificaram centenas de substâncias que aumentam no sangue após a digestão. Entre elas, a molécula chamada para-tiramina-O-sulfato (pTOS) se destacou por apresentar aumento significativo e possível relação com a regulação do apetite.
Como a molécula atua no organismo
Testes laboratoriais indicaram que a substância pode atuar diretamente no cérebro, em uma região responsável pelo controle da fome. Em experimentos realizados com camundongos, a aplicação da molécula resultou na redução da ingestão de alimentos e na perda de peso.
Os resultados chamaram atenção por ocorrerem sem efeitos comuns observados em medicamentos atuais para emagrecimento, como náuseas, perda de massa muscular ou queda de energia.
Segundo os pesquisadores, a molécula é produzida a partir da ação de bactérias no intestino das serpentes após a digestão. Embora também esteja presente em humanos, ela aparece em níveis muito mais baixos e ainda é pouco estudada.
Possíveis aplicações e próximos passos
O interesse dos cientistas está em compreender como esse mecanismo natural pode ser adaptado para o desenvolvimento de novas terapias voltadas ao controle do apetite.
A descoberta segue uma abordagem já utilizada na medicina, que busca soluções a partir de fenômenos observados na natureza. Medicamentos atuais contra a obesidade, por exemplo, já foram inspirados em substâncias encontradas em outros animais.
No caso dos pítons, a capacidade de permanecer meses sem se alimentar sem prejuízos ao organismo sugere a existência de mecanismos metabólicos ainda pouco compreendidos.
Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores destacam que ainda são necessários mais estudos para avaliar como a molécula atua em humanos e se pode ser transformada em um medicamento seguro. A equipe também pretende investigar outras substâncias identificadas no sangue das serpentes, que podem desempenhar funções importantes no metabolismo.
Com informações do Metrópoles








