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MP, Prefeitura, médicos e população são contra Santa Casa funcionar em atendimento exclusivo da Covid-19

Foto: Gleiton Arantes

Da Redação

A proposta inicialmente apresentada pelo Governo Federal, orientando a Secretaria de Estado de Saúde para que a Santa Casa de Formiga se tornasse uma unidade exclusiva para o atendimento de pacientes infectados pelo novo coronavírus na região, durante o enfrentamento à pandemia, tirou o sono de parte da população que rejeita categoricamente essa possibilidade; opinião compartilhada pelo Ministério Público, médicos e pelo prefeito de Formiga Eugênio Vilela, que ameaçou colocar todas as máquinas pesadas e caminhões bloqueando o acesso ao hospital, caso esta ideia se confirme.

O assunto ganhou as redes sociais, em especial os grupos de WhatsApp nessa semana, mesmo sem que um posicionamento oficial tivesse sido divulgado; o que ocorreu na noite de quarta-feira (22), quando a promotora Clarissa Gobbo dos Santos emitiu nota de esclarecimento, afirmando que a “Secretaria de Estado de Saúde, juntamente com o Ministério da Saúde, ainda não definiu os fluxos assistenciais, não havendo qualquer informação oficial a respeito desses fatos”.

Na manhã de quarta-feira, tal indefinição já havia levado médicos a se reunirem com o prefeito Eugênio, ocasião em que os profissionais demonstraram insatisfação e a preocupação com a possível adoção da medida.

Apesar das tratativas que ocorreram nos bastidores, o prefeito se manifestou, publicamente, sobre a polêmica, pela primeira vez, nessa quinta-feira (23), em entrevista concedida ao programa do radialista Jaime Mendonça, quando afirmou que, desde o primeiro momento, instruiu o secretário de Saúde, Leandro Pimentel, a ser firme e a não aceitar a proposta da SES que, segundo Eugênio, já abandonou a ideia inicial de uso exclusivo da Santa Casa para tratamento de pacientes acometidos pelo novo coronavírus. 

Porém, na mesma entrevista, Eugênio expôs duas realidades das quais a população não poderá fugir. A primeira é a de que a Santa Casa é hospital polo e tem a obrigação de receber pacientes das sete cidades que compõem a microrregião (Formiga, Tapiraí, Iguatama, Pimenta, Pains, Córrego Fundo e Bambuí); de vez que é mantida com recursos públicos, inclusive a Unidade de Terapia Intensiva. A segunda situação, segundo o prefeito, trata da possibilidade de que o Governo venha a acionar a Justiça para fazer valer sua vontade; o que diante de uma sentença favorável, tornará tal decisão irreversível.

Confira o áudio da entrevista na íntegra

Na tarde desta quinta (23), a promotora Clarissa Gobbo, entrevistada pelo radialista Flaviano Costa sobre o mesmo assunto, confirmou que o MP já vinha agindo junto à SES, pleiteando o que finalmente se conseguiu e afirmou que na macrorregião (que inclui Divinópolis), nenhum hospital deverá funcionar com exclusividade no tratamento da Covid-19, informação repassada a ela pelo diretor da regional oeste de Saúde, Alan Rodrigo da Silva. A promotora foi mais além, tranquilizando a população e condenando a forma alarmista com que o assunto foi tratado, inclusive, em grupos nas redes sociais.

UTI

A Santa Casa de Formiga possui 17 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) equipados com os respiradores; equipamentos fundamentais para o tratamento de doentes graves acometidos pela Covid-19.  Em breve, a unidade poderá receber dois novos leitos credenciados junto a Ses, os quais ficarão à disposição, apenas durante a pandemia.

Atualmente, segundo informação confirmada pela Comunicação da Santa Casa na quarta-feira, todos os leitos disponíveis na UTI estão ocupados por pacientes com outras doenças.