Uma mulher de 40 anos e o ex-namorado dela foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio triplamente qualificado por suspeita de queimar o marido dela vivo, em Betim.

Em coletiva, nesta quinta-feira (1º), o delegado Otávio Luiz de Carvalho informou que ela chegou a pesquisar na internet “como sacar FGTS de falecido”.

O corpo de Alexandre Dutra Cardoso, de 37 anos, foi encontrado em chamas no dia 30 de junho no bairro Charneca. A vítima foi localizada por vigilantes de uma empresa da área. Segundo o delegado, a mulher só fez o registro de desaparecimento um dia depois, afirmando que o companheiro não tinha chegado em casa, ela não conseguiu contato por telefone e foi dormir.

“Inicialmente gerou uma suspeição contra a esposa dele e começamos a investigar. Os investigadores começaram a procurar câmeras perto da casa dela e nós vimos que ela saiu de casa no carro do casal. Vimos depois que ela retornou para casa, saindo novamente depois”, explicou o policial.

Em uma dessas saídas, a mulher passou em um posto de combustíveis com outro homem, onde abasteceu o veículo e comprou um galão com cinco litros. Diante das provas, a polícia solicitou a prisão temporária dela, que acabou confessando o crime.

“Ela buscou o homem no bairro Novo Riacho, em Contagem. Identificamos como sendo o ex-namorado dela de 35 anos. Pedimos a prisão temporária dele, que preferiu ficar em silêncio. A autora contou que o relacionamento com a vítima estava difícil, que dois meses antes ele a agrediu. E no dia do crime, ele teria a ofendido moralmente. Ela resolveu ligar para o ex que afirmou que a ajudaria. Pelo laudo de necropsia, ele (a vítima) foi queimado vivo, nós rastreamos as pesquisas que ela fez no Google no dia do crime. Ela fez pesquisa ‘como matar sem dor’. Ela era técnica de enfermagem, e tudo leva a crer que ela envenenou esse homem ou deu um remédio para dormir”, detalhou o delegado.

Apesar da mulher falar que chegou a ser agredida pelo companheiro, não havia registros de boletins envolvendo o casal e, antes de confessar o homicídio, ela afirmou em depoimento que Alexandre era um bom marido.

As investigações apontaram que a mulher levou o ex até a casa do casal, onde ele entrou sozinho e amarrou a vítima. Em seguida, Alexandre foi levado para outra região da cidade.

Indenização

Segundo a polícia, a vítima tinha recebido uma indenização de R$ 90 mil após sair da empresa em que trabalhava. Além de pesquisar como poderia sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) de uma pessoa que já tinha morrido, ela foi ao banco tentar ter acesso à quantia.

Além de técnica de enfermagem, a mulher era formada em direito e fazia estágio na Defensoria Pública de Betim.

O homicídio triplamente qualificado foi por motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A dupla também pode responder por destruição de cadáver. Se condenados, os suspeitos podem pegar até 30 anos de prisão.

Os nomes da mulher e do homem não foram divulgados e, por esse motivo, não foi possível localizar a defesa deles.

 

Fonte: G1

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