Na tarde desta sexta-feira (4), foram ouvidas mais quatro pessoas na Comissão de Inquérito parlamentar (CPI), que investiga a possibilidade de haver usurpação de poder na Prefeitura de Formiga.
O primeiro depoente foi Marcelo Rodrigues Nunes, que trabalhou na campanha do prefeito Moacir Ribeiro e com pagamento recebeu a nomeação como supervisor do Aterro Sanitário.
Ele relatou que esteve no Gabinete do prefeito e em contato com Marco Sallum, o empresário disse que era ele (Sallum)quem mandava na Prefeitura. ?Ele disse que ele mandava desde o dia 1º de janeiro e mandaria até o final do mandato. Ele estava sentado na cabeceira da mesa neste dia e perguntou o que eu estava fazendo lá. Eu fui ameaçado de morte por ele. Então eu abri a camisa e disse que ele podia atirar?. (Ouça vídeo postado na matéria).
Em relatos anteriores, Mauro César, Fabricio Mundim e Elton da Costa também afirmaram que haviam sido ameaçados por Sallum.
Marcelo Rodrigues disse também que o prefeito foi comprado. ?Na campanha, eu usei o meu carro e um imóvel sem ônus, tenho fotos dessa época. Minha família toda votou no Moacir. Na parte financeira da campanha, era o Miguel Sallum, irmão do Marco o responsável pela parte financeira. Eu fiquei incumbido de trocar adesivos por votos para o Moacir?.
Questionado, o depoente disse que viu Marco Sallum na Prefeitura, acompanhado pelos vereadores Josino e Zezinho Gaiola.
Outro depoente foi o presidente da associação dos bairros Ouro Verde, Ouro Branco, Jardim Montanhês e Rosa Mística, Marcelo Fernandes.
Em julho do ano passado, Marcelo participou de duas reuniões de seu partido, PTB, juntamente com Marco Sallum. ?A intenção era tomar o partido da gente. Eles queriam pegar a presidência do Fabrício Mundim e até chegaram a discutir. Sallum queria que o partido tivesse dez pré-candidatos a vereador e se comprometeu a dar R$5 mil a cada um. Não aceitamos a proposta. Em uma das reuniões, havia cinco candidatos e o vereador Piruca. O Josino não tinha nada a ver com o partido e, mesmo assim, também participou de uma das reuniões?.
O radialista e técnico agrícola, José Tiers também foi ouvido na CPI. Ele que faz parte do PTB e contou que, antes das eleições, o que se ouvia era que a ordem vinha lá de cima, de Brasília. ?Em reunião com o Marco Sallum, ele nos propôs que apoiássemos o Moacir Ribeiro. Eu disse a ele que fazia política e não politicagem como esta nojeira que estava aí. Não era esse tipo de política que queríamos?.
Ainda de acordo com José Tiers, Sallum disse aos membros do partido que, eles podiam fazer o que quisessem com a papelada, mas que lá em Brasília seria do jeito dele. ?Ele disse que o partido já era dele, mas que podíamos ficar com eles e apoiar o Moacir. O deputado Dilson Melo também me disse que isso estava acontecendo não só em Formiga, mas também em Piumhi. Formiga não merece passar por isso?.
Tiers confirmou que a tal reunião ocorreu no escritório do Dr. Sheldon Almeida, que apesar de não pertencer ao partido, convocou a reunião e a presidiu.
O último depoente foi o engenheiro Adalton Francisco Gomes. Ele veio para Formiga para trabalhar na Empresa Soenge. O engenheiro chegou a ir até a alguns vereadores e ao Ministério Público para fazer graves denúncias.
? O João Carlos Gondim, responsável pela Soenge, é amigo do Marco Sallum. Me mandaram trabalhar na Prefeitura. Eu deixei meu currículo no gabinete, dias depois o Sallum me ligou e perguntou porque eu ainda não estava trabalhando. Me empregaram na Secretaria de Planejamento. Achei estranho que no primeiro dia, havia cerca de dez pessoas trabalhando lá. No outro dia, não havia mais ninguém?.
Questionado, Adalton contou que esteve reunido apenas com Marco Sallum e com o chefe de Gabinete, Terrinha. ?Nunca me reuni com o prefeito não. Lá na secretaria, o pessoal fazia gozação, perguntando se a ordem era de qual prefeito?.
Em outra pergunta, o engenheiro disse que recebia ordens do ex-secretário Nilton Alvarenga. ?Mas ele também estava indignado com a situação. Ele recebia ordens do Gabinete, por meio do Sallum. Fui lá na Prefeitura e questionei ao Sallum sobre o meu salário. O combinado foi de me pagarem R$4 mil e estava recebendo R$2 mil e pouco. Ele me disse que eu ia ser remanejado para outro departamento e que depois me pagaria, pois a Câmara estava pegando no pé deles?.
Em outro questionamento, Adalton disse que, em sua opinião, há irregularidades na doação de terrenos na Prefeitura. ?Não era na minha área, mas vi pessoas ganhando lotes lá sim. O Josino e a Meirinha estiveram lá uma vez?.
O engenheiro ficou na Prefeitura por seis meses e entrou na Justiça com uma ação trabalhista para receber os seus direitos. ?O Rafael Tomé foi transferido da Saúde para a Secretaria de Planejamento. Chegando lá, ele disse que não era técnico e sim político?.
A Prefeitura tem uma dívida para com a Soenge de R$2.300 milhões. Em depoimento, Adalton disse que, na sua opinião, isso é uma troca de favores. Lá havia um engenheiro chamado Carlos Magno. Ele relatou que, ouviu da diretoria da Soenge, que do montante da dívida entre Prefeitura e Soenge, tinha que passar certa quantia para Marco Sallum?, disse o engenheiro que aguarda a Prefeitura pagar a Soenge para ele receber o que lhe é de direito.
Veja parte dos depoimentos em vídeo

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