Pesquisadores do Georgia Institute of Technology (Georgia Tech), em parceria com a NASA, desenvolveram novos componentes eletrônicos projetados para funcionar em ambientes extremos do espaço. O avanço foi divulgado pela agência espacial na última terça-feira (10).
A tecnologia foi testada com sucesso em condições de aproximadamente -180 °C e sob níveis de radiação cerca de 50 vezes superiores à dose considerada letal para seres humanos. Essas características são semelhantes às encontradas em Europa, uma das luas de Júpiter, onde cientistas acreditam existir um oceano congelado.
Segundo os pesquisadores, a exploração de Europa e de outros corpos celestes com características semelhantes pode ajudar a identificar oceanos líquidos abaixo da camada de gelo — um dos elementos considerados essenciais para o surgimento da vida — além de fornecer pistas sobre a formação do Sistema Solar.
Como funciona a tecnologia
Atualmente, missões espaciais destinadas à Lua e a Marte utilizam compartimentos aquecidos para proteger equipamentos eletrônicos das temperaturas extremas e da radiação. Essas “caixas aquecidas” mantêm os dispositivos em condições semelhantes às da Terra.
No entanto, esse sistema aumenta o peso, o tamanho e o consumo de energia das sondas, além de elevar os custos das missões. Em expedições para regiões mais distantes, como o sistema de Júpiter, esses desafios se tornam ainda maiores.
Para superar esse obstáculo, os cientistas desenvolveram protótipos de chips fabricados com silício-germânio (SiGe). O material é mais resistente a ambientes extremos e permite a criação de dispositivos menores e mais eficientes.
De acordo com os pesquisadores, o desempenho desses chips pode até melhorar em temperaturas muito baixas, já que o frio reduz interferências no movimento dos elétrons dentro do material. Além disso, a menor quantidade de componentes sensíveis à radiação torna o sistema mais durável.
Possíveis aplicações
Com base na nova tecnologia, os pesquisadores criaram um sistema de comunicação por rádio compacto e de baixo consumo de energia. Durante os testes em condições extremas, o dispositivo conseguiu transmitir dados de forma estável.
Segundo a NASA, o sistema pode ser utilizado em futuras missões para mundos oceânicos, atuando como interface de comunicação em redes de sensores, módulos de pouso, orbitadores ou até equipamentos capazes de perfurar camadas de gelo e explorar oceanos subterrâneos.
Após os testes bem-sucedidos, o próximo passo é disponibilizar a tecnologia para uso comercial. A agência espacial informou que os arquivos do projeto já estão acessíveis para apoiar o desenvolvimento de futuras missões de exploração espacial.
Com informações do Metrópoles








