Famosas em filmes de guerra, aeronaves não-tripuladas já começavam a figurar nos céus iraquianos e afegãos durante as guerras, com a missão de vigiar territórios e bombardear alvos inimigos. Conhecidas como ?drones?, (o termo técnico correto é vant, ?veículo aéreo não tripulado?, ou UAV em inglês), essas aeronaves, antes vista como um objeto de ficção, começaram a figurar no espaço aéreo brasileiro neste mês.
Com autonomia de voo de quase 40 horas, começam a voar nas fronteiras do sul do país 15 aeronaves da Polícia Federal equipadas com tecnologia similar à dos drones de Obama. Os vants Heron TP, fabricados pela israelense IAI (Israel Aerospace Industries), ajudarão a combater o tráfico de drogas sem colocar em risco a vida de policiais. No começo de 2010, os vants irão sobrevoar São Paulo e Rio de Janeiro. A aeronave é capaz de sobrevoar a uma altura de até 13.000 metros, acima da altitude da aviação comercial. O custo? Cerca de R$ 345 milhões pela frota de 15 aparelhos.
O poder invasivo dessa tecnologia pôde ser confirmado em agosto, quando agentes da CIA, nos Estados Unidos, viram de sua base em Langley, na Virgínia, a imagem de Baitullah Mehsud, líder do Taleban no Paquistão, aplicar uma injeção de insulina. Em uma semana, a aeronave pode escanear todo o território brasileiro. Com seu sistema infravermelho, detecta túneis a até 7 metros de profundidade e identifica embarcações submersas usadas pelos traficantes para transportar drogas a profundidades de até 5 metros. A base de controle e recepção de imagens do avião é móvel, uma espécie de contêiner. O aparelho atua com um plano de voo pré-traçado, guiado por satélite e programado numa ?memória? na parte dianteira do avião.
A Polícia Federal diz que o objetivo prioritário é melhorar a vigilância na maior porta de entrada de contrabando, armas ilegais e drogas do país: a ?tríplice fronteira? de Brasil, Paraguai e Argentina, na região de Foz do Iguaçu, no Paraná. Outros alvos são as divisas com Colômbia, Bolívia, Peru e Paraguai, territórios livres para o tráfico e o contrabando. A PF afirma não haver risco de violação de fronteiras com países vizinhos porque o avião permite filmar e monitorar ações humanas a 30 quilômetros de distância.

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