A oferta de empréstimos para pessoas físicas e empresas deve aumentar em 2010. Especialistas preveem que o volume de crédito no próximo ano supere 50% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos no país.
Na avaliação dos especialistas, a previsão é possível devido à expectativa de crescimento da economia no próximo ano, com aumento de emprego, da renda e também da competição no sistema financeiro.
Para o vice-presidente da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira, não será surpresa se a relação entre crédito e PIB ficar entre 55% e 60% ao final de 2010. É um ciclo. Quanto mais crédito, mais as empresas vão produzir e vender e mais vão contratar trabalhadores, disse Oliveira.
Já a previsão da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) é de que o crédito fique, em 2010, entre 51% a 52% do PIB. Para este ano, a estimativa está entre 46% a 47% do PIB. A estimativa do Banco Central (BC), que ainda pode ser revisada neste mês, é de 47% para 2009. Em outubro, segundo os últimos dados do BC, a relação estava em 45,9%.
Para os especialistas, o crescimento acelerado do crédito não preocupa. E um dos motivos para isso, diz Oliveira, é que o Brasil ainda está muito atrás da média das principais economias, que têm esse percentual acima de 100%, como nos Estados Unidos e Japão, por exemplo. O crédito é o grande impulsionador da indústria e do comércio em qualquer economia no mudo, acrescenta o presidente da Acrefi, Adalberto Savioli.
Oliveira afirma ainda que os bancos costumam ser criteriosos na concessão de crédito, o que diminui o risco. Além disso, dizem os economistas, as principais modalidades que devem crescer no próximo ano são as que apresentam menor risco de inadimplência, como financiamento imobiliário, de carros e consignado em folha de pagamento. Esses são os que têm menor risco, uma vez que a garantia é o próprio imóvel ou veículo financiado ou o salário, disse Oliveira. Segundo a Acrefi, cera de 70% dos empréstimos no país têm alguma garantia real, como uma casa, por exemplo.
O economista da LCA Consultores Douglas Uemura considera que os bancos querem ampliar ainda mais o crédito consignado e percebem espaço de atuação no segmento de trabalhadores da iniciativa privada. No caso das empresas, há perspectiva de redução da inadimplência no primeiro semestre de 2010. Com isso, deverá haver aumento da oferta de crédito para esse segmento de maneira geral, avalia Uemura.
No crédito voltado para investimentos, Uemura lembra que no período de crise financeira internacional houve ajuda dos bancos públicos e agora a tendência é de maior atuação das instituições privadas, que não querem perder espaço no mercado

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