Estudantes do turno matutino da Escola Municipal Caic correm sérios riscos ao serem transportadas pelo veículo contratado pelo município. As crianças são moradoras das comunidades rurais de Serrinha e Raiz e são transportadas em um ônibus que não possui cinto de segurança.

Embora o proprietário do veículo tenha apresentado ao município o laudo técnico de número 021580/2018, emitido no dia 26 de fevereiro, pela empresa Centro Regional de Inspeção Veicular Ltda. (Crive), o veículo escolar Mercedes Benz modelo 1318, placa GLH-3090 fabricado em 1994, faz o transporte de ida e volta dos alunos sem atender as exigências mínimas de segurança, segundo o que determina os artigos 136 e 137 do Código de Trânsito.

O Últimas Notícias esteve na manhã de quarta-feira (4) na instituição de ensino acompanhando o vereador Marcelo Fernandes/PCdoB e em conversa com o motorista do ônibus, ele informou que estaria dispensado do uso do cinto de segurança em razão do ano de fabricação do veículo. Ele próprio descreveu o trajeto que percorre pelo Centro da cidade até chegar à rodovia BR-354 e alcançar a estrada rural de acesso à Serrinha e Raíz que, no entender dele, pela falta de manutenção, tem trazido riscos e problemas, para os que dela fazem uso.

O motorista mostrou uma avaria na parte frontal do veículo que foi danificada em virtude de um mata-burro mal construído. Para que o ônibus conseguisse trafegar pelo local, o motorista “mandou jogar”, por conta própria, dois caminhões de terra no encabeçamento do mata-burro.

As crianças transportadas, com idade até 6 anos, correm riscos de se envolverem em acidentes mais que previsíveis. Basta uma freada mais brusca ou uma passagem sobre um buraco mais profundo para que elas sejam lançadas sobre os bancos à frente.

O que diz a Prefeitura:

“A Secretaria Municipal de Educação compra passes escolares diários para os alunos residentes nas comunidades de Raíz e Serrinha, da empresa José Ovimar de Mendonça.

– Motivo da compra de passes: veículo transporta passageiros e alunos, não é veículo exclusivo do escolar”.

Apesar de a Prefeitura informar que o veículo “não é exclusivo do escolar”, a administração enviou ao jornal uma cópia do relatório de vistoria e percurso de linha do setor de transporte da Secretaria de Educação em que acusa a falta de cinto de segurança. No relatório foi dado um prazo de 30 dias para que o veículo fosse regularizado.

O que diz a Crive:
Ao UN o engenheiro Robert Cirilo da Silva informou que: “nós seguimos as normas para executar a fiscalização e cumprimos tudo aquilo que está previsto na legislação. Ao todo 128 itens são conferidos e de acordo com a norma 14.040, a vistoria tem que ser feita semestralmente. Temos aqui tudo filmado e as vistorias feitas por equipamentos eletrônicos ficam arquivadas. Posso garantir que na hora da vistoria o veículo estava apto, inclusive no tocante aos cintos (grifo nosso). Agora, depois que o veículo sai de nosso pátio, não podemos garantir o que ocorre. Veículo trafegando em situação irregular tem que ser conferido pela Polícia de Trânsito. Acho que o município deve exercer uma fiscalização maior sobre os veículos escolares”, disse.

Comentários
COMPATILHAR: