O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que as obras de derrocamento no rio Tietê, no trecho entre as usinas de Nova Avanhandava e Três Irmãos, devem ser concluídas em 17 de abril, com impacto direto na operação do sistema ao ampliar o volume útil dos reservatórios em montante equivalente a cerca de 23% do volume de Furnas.
A previsão foi apresentada no primeiro dia do Programa Mensal da Operação (PMO) de abril de 2026, nessa quinta-feira (26).
Com a conclusão da obra, a restrição hidráulica atualmente aplicada deixará de vigorar a partir do dia 18 de abril, permitindo a redução do nível mínimo operativo de 325,40 metros para 323 metros.
A mudança amplia o volume disponível para operação nos reservatórios da região Sudeste/Centro-Oeste, aumentando a flexibilidade do sistema em momentos de maior demanda, especialmente para atendimento à ponta de carga.
A usina de Ilha Solteira, no rio Paraná, tem papel central nesse processo, por estar diretamente associada à operação da hidrovia e ao controle dos níveis dos reservatórios da região.
Pressão na operação do sistema
A ampliação do volume útil ocorre em um contexto de operação ainda pressionada em parte do sistema. O ONS indicou que seguirá monitorando a carga mínima em domingos e feriados, diante do risco de excedentes energéticos, e manterá o acompanhamento das condições do sistema no âmbito do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), com atenção à evolução dos reservatórios do Sul ao longo do próximo mês.
Do lado da carga, o Sistema Interligado Nacional (SIN) registrou consumo médio de 85.682 MW médios em março, até o momento, nível praticamente estável em relação ao mesmo mês de 2025, com leve redução frente a fevereiro, associada à diminuição das temperaturas.
A matriz elétrica segue com elevada participação de fontes renováveis, em torno de 90%, sendo 67% de origem hidráulica, 14% solar e 9% eólica.
A geração eólica no Nordeste apresentou redução ao longo dos primeiros meses do ano, conforme esperado pela sazonalidade dos ventos, com fator de capacidade em torno de 20% em março. Já a geração solar manteve participação relevante, especialmente no Sudeste e no Nordeste, contribuindo para a modulação da geração hidráulica ao longo do dia.
Outro ponto de destaque foi a expectativa de ocorrência de vertimento turbinável (EVT) em períodos de menor carga, especialmente nas regiões com maior disponibilidade de geração renovável. A exportação desse excedente depende de validação elétrica para garantir sua transmissibilidade.
Com informações do UOL








