Dois padres católicos contrataram uma gangue de criminosos para que fossem mortos por ela, quando descobriram que pelo menos um dos dois tinha o vírus HIV, informou nesta terça-feira (14) a promotoria de Bogotá. Os sacerdotes Rafael Reátiga, de 36 anos, e Richard Píffano, de 37 anos, pagaram 15 milhões de pesos (cerca de US$ 8.430) para que fossem mortos a tiros em janeiro de 2011, disse em entrevista à Associated Press a diretora do Corpo Técnico de Investigação (CTI) da promotoria, Maritza González.
González precisou que após exames nos cadáveres foi comprovado que Reátiga era portador do HIV. O monsenhor Juan Vicente Córdoba, secretário da Conferência Episcopal da Colômbia, disse estar aterrorizado com o caso e afirmou que ele abala a Igreja Católica na Colômbia, não apenas porque envolveu seus membros, mas também por causa da decisão que eles tomaram.
Maritza González disse que a decisão da dupla foi tomada, aparentemente, após a descoberta de que Reátiga tinha o HIV. Segundo ela, os dois padres buscaram os quatro delinquentes – dois dos quais estão detidos – e disseram que precisavam de um trabalho, se eles podiam assassinar umas pessoas. A gangue aceitou e na hora de acertar os detalhes os sacerdotes revelaram que eles é que deveriam ser assassinados.
Também ficou claro, disse González, que três semanas antes de autorizar a própria morte, Reátiga passou seus bens para sua mãe. Já o padre Píffano sacou todo o dinheiro da sua conta bancária, 6,5 milhões de pesos (US$ 3,6 mil) no dia da própria morte.
Os corpos dos dois sacerdotes foram encontrados crivados de balas em um automóvel na manhã de 27 de janeiro de 2011 no bairro de El Triunfo, no sul de Bogotá, onde tinham suas paróquias. Ambos foram baleados na noite anterior. A promotoria não precisou o calibre das armas e nem os projéteis usados. A polícia colombiana procura os dois outros acusados que teriam matado os padres. Para a Justiça, disse González, se trata de dois casos de homicídio e não de suicídio assistido.
Os dois acusados, Gildardo Peñate e Isidro Castiblanco, compareceram nesta terça-feira a um tribunal de Bogotá onde foram formalmente citados. Os dois podem ser condenados a até 40 anos de prisão.
A promotora do caso, Ana Patricia Larrota, disse que o padre Reátiga era frequentador de bares e discotecas da comunidade gay e de transexuais no centro de Bogotá. Segundo ela, os exames feitos no corpo do padre mostraram que ele tinha sífilis.
As famílias dos dois padres disseram não acreditar nas investigações da promotoria, enquanto o monsenhor Córdoba se disse aterrorizado com os fatos. Ninguém imagina que duas pessoas jovens, sacerdotes ou não, paguem assassinos para serem mortos.

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